quarta-feira, 30 de maio de 2012

Padre expulso na ditadura volta ao país após 31 anos

06-01-2012 - 19h40min

Expulso do Brasil pelo regime militar há 31 anos, o padre italiano Vito Miracapillo, 65, retornou ao país nesta semana depois de ser autorizado pelo governo federal a renovar seu visto permanente.

Em 1980, ele foi obrigado a ir embora depois de se negar a realizar uma cerimônia pelo Dia da Independência na cidade pernambucana de Ribeirão, onde era pároco. Na época, o religioso afirmou que não havia "independência para ser comemorada" e que, por isso, não haveria missa em Ribeirão. Miracapillo foi denunciado ao governo pelo então deputado estadual Severino Cavalcanti (PP), que integrava a UDN. O decreto de expulsão foi assinado pelo presidente João Figueiredo.

O padre chegou a Pernambuco na última terça depois de ter obtido autorização do Ministério da Justiça para renovar seu visto permanente, como informou o jornal "O Estado de S. Paulo". Ele já havia voltado com visto de turista, já que o decreto de expulsão foi revogado em 1993.

Para comemorar a decisão do Ministério da Justiça, o padre celebrará uma missa neste sábado em Ribeirão. Ele terá de voltar à Itália, onde atua como pároco da cidade de Canosa. Para ficar em Pernambuco, precisa da autorização de superiores. "Meu desejo é voltar e ficar, para continuar aquele trabalho que estava fazendo", disse Miracapillo em entrevista coletiva, nesta semana.

Ele afirmou ter perdoado os responsáveis por sua expulsão, mas não poupou o ex-vice-presidente Marco Maciel (DEM) ao ser questionado sobre sua eventual participação na Comissão da Verdade. No ano da expulsão, Maciel era governador de Pernambuco. "Não sei quem foi chamado [para a comissão]. Lembro que, na época, a única coisa boa que Marco Maciel fez foi não falar".

Por Folhapress
http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=6&n=22470

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