quarta-feira, 21 de março de 2012


Senado aprova Comissão da Verdade para investigar violações da ditadura
Texto da Câmara foi mantido e votação simbólica teve unanimidade de governo e oposição

26/10/2011 23:53 - Atualizado em 27/10/2011 00:03

O Senado aprovou, na noite desta quarta-feira, a criação da Comissão da Verdade, incumbida de investigar e documentar as violações de Direitos Humanos ocorridas no Brasil entre 1946 e 1988, períodos de regimes ditatoriais. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), relator da matéria, manteve o texto aprovado na Câmara em setembro. Com isso, a proposta segue agora direto para a sanção da presidente Dilma Rousseff.

A proposta relatada pelo senador tucano foi aprovada em votação simbólica e unânime, numa sessão que uniu oposição e governo, e foi acompanhada, da Mesa Diretora dos trabalhos, pela ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. Após três horas de debates, Aloysio Nunes, que foi perseguido e condenado pelo regime militar, concluiu seu pronunciamento citando o bispo Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz: "virar a página do passado é conveniente não para esquecê-lo, mas para não deixá-lo nos aprisionar para sempre".

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR) avaliou que o tucano, ao relatar a matéria, atuou como uma "bússola", indicando o caminho para que o País se reconcilie com sua história. O senador Jorge Viana (PT-AC) disse que o colegiado será capaz de "transformar a ferida do passado numa cicatriz". O líder do DEM, Demóstenes Torres (GO), destacou que o momento não é de "revanchismos, mas de resgate da verdade".
http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=352864
A crise do capitalismo e o desenvolvimento desigual das nações

25 de Outubro de 2011 - 16h20

O mundo vive, desde 2007, sob o signo da crise mais global da história do capitalismo. Em maior ou menor medida, seus efeitos são sensíveis em todos os continentes, sobretudo para a classe trabalhadora, sua principal vítima.

Por Umberto Martins

Mas uma característica fundamental da crise é sua diversidade. Ela se manifesta de maneira diferente nos países e impulsiona, com isto, o processo de desenvolvimento desigual das nações, que já vinha se verificando anteriormente.

Os estragos são bem maiores nos Estados Unidos, na Europa e no Japão do que na China e nos Brics. Dentro da Europa, a crise é generalizada, mas a situação da Grécia, elo mais frágil da cadeia imperialista, não é a mesma da Alemanha.

Ascensão da China

A indústria chinesa sofreu com a contração do mercado nos Estados Unidos e na Europa, em 2008. Muitas empresas faliram e milhões de operários foram demitidos. Mas a economia reagiu aos estímulos do Estado e se recuperou rapidamente, de modo que mesmo em 2009, quando o PIB mundial caiu 0,6% (os EUA recuaram 2,6%, a zona do euro 4% e o Japão 6,3%), a China cresceu 9,2%. Em 2010, mesmo com as economias europeia e norte-americana estagnadas, o país avançou 10,3% e ainda deve crescer mais de 9% este ano.

O crescimento desigual não é de hoje. Ao longo das últimas décadas o PIB chinês progrediu em média cerca de 10% ao ano enquanto os EUA e outras potências ocidentais cresceram entre 2 e 3%. O resultado deste desenvolvimento desigual foi uma revolução silenciosa na geografia econômica mundial, com o deslocamento da produção industrial, e por extensão do poder econômico, do Ocidente para o Oriente e dos EUA para a China.

Refletindo o avanço da indústria, nas condições de uma “economia de mercado socialista”, o país ocupa o primeiro lugar no ranking mundial das exportações, depois de superar a Alemanha e Estados Unidos. Acumula reservas superiores a 3 trilhões de dólares, as maiores do mundo e se transforma, por consquencia, num relevante investidor externo. É o maior credor dos EUA, onde aplicou parte substancial de suas reservas.

Para um número crescente de nações da África, Ásia e América Latina as relações comerciais e financeiras com a China já são mais relevantes que o intercâmbio com os EUA e a Europa.

Convergência das crises

A particularidade mais notável da crise econômica em curso reside em sua convergência com o declínio da importância relativa das grandes potências e dos Estados Unidos em especial, que reflete o esgotamento da ordem econômica e política mundial remanescente dos acordos de Bretton Woods, erigida de acordo com a realidade do capitalismo após a Segunda Guerra, na época em luta com o socialismo soviético.

Ao longo das últimas décadas, em sintonia com a globalização neoliberal e a desregulamentação do sistema financeiro, moldou-se um modelo de desenvolvimento mundial sustentado no excesso de consumo dos EUA e alguns países europeus, que alimentou a reprodução do capital em âmbito internacional e também contribuiu para a prosperidade chinesa. O déficit americano passou a ser financiado pela poupança asiática numa relação que chegou a ser caracterizada equivocadamente como uma perfeita simbiose.

Mas este padrão de reprodução do capital, fundado no crescente endividamento e na hipertrofia do sistema financeiro, entrou em crise e hoje parece insustentável. Os EUA não são mais a locomotiva do globo; as economias emergentes, lideradas pela China, já respondem por mais de 50% do crescimento da economia mundial.

Objetivamente, o mundo está mudando e demanda uma nova ordem internacional, uma nova moeda ou novas moedas e novas instituições. A transformação da geografia econômica de certa forma sugere uma transição neste sentido, mas a verdade, de resto evidente, é que o globo, em crise, ainda é prisioneiro da velha ordem, da liderança capenga e instável do dólar, do arbítrio dos EUA e da Otan e de governos submissos ao capital financeiro. A transição para uma nova ordem não se completará sem luta.

Acirramento da luta de classes

Outro aspecto fundamental é que a recessão e as perturbações no processo de reprodução do capital provocam um notável acirramento da luta de classes entre capital e trabalho, verdade que se revela com força na Europa e nos países mais afetados pela crise. Isto ocorre porque a estagnação da economia tem a sua tradução para a classe trabalhadora no desemprego em massa, na redução de salários e direitos. O número de desempregados no mundo excede 200 milhões, 40 milhões nos países mais desenvolvidos.

Além disto, a intervenção dos governos para resgatar o sistema financeiro, derramando trilhões de dólares e euros na economia, agravou os problemas, elevando os déficits públicos e detonando a crise da dívida. Frente à nova situação, programas de ajuste fiscal são impostos, especialmente às nações mais frágeis da Europa, com doses de sacrifícios extras para os trabalhadores. O FMI, refratário a reformas, cumpre a missão neocolonial de monitorar a execução dos pacotes antissociais, a exemplo do que fez no Brasil e na América Latina durante os anos 1980.

A crise, em vez de arrefecer, ganha novo fôlego com as medidas que reduzem o nível de emprego e o poder de compra dos salários, deprimindo o consumo e empurrando as economias para uma espécie de círculo vicioso no qual as políticas econômicas, que deviam contornar a crise, reproduzem mais recessão. Para superar o drama, conforme recomendou a presidente brasileira Dilma Rousseff, seria necessário estimular o consumo e os investimentos produtivos, ao contrário da receita imposta pelo FMI, ditada pelos interesses dos banqueiros.

A burguesia europeia, embriagada de neoliberalismo, aproveita o ambiente de crise para desmantelar o chamado Estado de Bem Estar Social e aumentar o grau de exploração da força de trabalho, de forma a se apropriar de uma parte maior do excedente econômica (trabalho excedente) e enfrentar a concorrência asiática, cuja competitividade é também lastreada em outros padrões salariais. É uma ofensiva capitalista radical, que está acirrando a luta de classes e despertando uma notável revolta na classe trabalhadora.

Protecionismo e guerra comercial

Ao lado da instabilidade monetária e financeira, a contração dos mercados acirrou a concorrência entre as grandes empresas que dominam o comércio internacional, bem como as contradições entre as nações, desembocando no crescimento do protecionismo e em guerras cambiais e comerciais.

É conveniente lembrar Lênin, que aponta a tendência do imperialismo em crise para o reacionarismo em toda linha. A exacerbação da intolerância, voltada principalmente contra trabalhadores imigrantes, o fortalecimento da extrema direita nos Estados Unidos e na Europa, são sinais preocupantes da manifestação desta tendência política, ao lado da intensificação da agressividade militar do imperialismo e dos conflitos políticos no Oriente Médio.

Os acontecimentos sugerem que não se deve esperar uma saída positiva para a crise do imperialismo, do ponto de vista da civilização humana, nos marcos do capitalismo.

Os interesses do capital financeiro já não conduzem ao desenvolvimento e entraram em franca contradição com as demandas sociais. Como em outras ocasiões da história, o sistema caminha para a barbárie. Uma solução progressista só virá pelas mãos do povo.

Desafio das forças revolucionárias

A reação dos povos europeus, com protagonismo crescente da classe trabalhadora e de suas organizações, é de revolta, resistência e luta. Eleva-se a dezenas o número de greves gerais realizadas na Grécia e em outros países do continente. Manifestações de protesto pipocam em todo o mundo, inclusive no centro do império americano.

O desafio das forças progressistas e revolucionárias é pavimentar nas batalhas em defesa dos direitos sociais, dos salários, das aposentadorias e do emprego, o caminho da luta maior contra o imperialismo e o capitalismo, entrelaçando a peleja por uma nova ordem internacional, efetivamente democrática, solidária e multilateral, com o objetivo estratégico e revolucionário de construir uma sociedade socialista.

O imperialismo, como disse Lênin, é o capitalismo dos nossos dias. Por isto, a luta contra o imperialismo não terá maior consequência se não contemplar o objetivo de liquidar o modo de produção capitalista, que está na raiz do imperialismo, e promover o socialismo.

A par de seus objetivos gerais, a desigualdade das realidades nacionais confere características e particularidades à luta em cada país. A América Latina vive um novo cenário político, com um grande número de países governados por forças políticas progressistas, que buscam uma alternativa ao neoliberalismo.

São experiências diferenciadas, em que o objetivo mais avançado é o do socialismo bolivariano, proclamado pela Venezuela. Mas há em comum o objetivo de buscar uma maior integração econômica e política das nações latino-americanas e procurar um modelo de desenvolvimento alternativo ao projeto dos EUA, sinalizado na rejeição da Alca e na criação da Unasul, da Celac (Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos) e da Alba (Aliança Bolivariana para os povos da Nossa América), entre outros fatos. São acontecimentos que confrontam objetivamente a hegemonia dos EUA e apontam na direção de uma nova ordem mundial.

Cabe registrar que, diferentemente do que ocorre na Europa, os governantes latino-americanos não estão adotando receitas recessivas ditadas pelo FMI para descarregar o ônus da crise sobre a classe trabalhadora. Os indicadores revelam uma relativa valorização do trabalho e redução das desigualdades sociais em grande número de países da região.

Os comunistas apoiam a integração regional, compreendendo o seu caráter objetivamente antiimperialista, e lutam, no Brasil, para que o processo de mudanças avance no sentido de novos projetos de desenvolvimento, antineoliberais e antiimperialistas, ancorados nos movimentos sociais, nos quais a classe trabalhadora deve ter papel proeminente e que abram caminho para o socialismo.

Reflexões sobre o Enem 

ANO 117 Nº 26 - PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 26 DE OUTUBRO DE 2011

Todo ano, na época do Enem, reflito sobre o vestibular. É o sistema mais cruel já aplicado por um país contra os seus jovens. Está baseado na falsa justiça da meritocracia. Um país sério estabelece o escore mínimo a ser alcançado por um estudante para entrar na universidade e banca vagas para todos os aprovados. Esse conhecimento mínimo é exigido em nome do bom acompanhamento das atividades universitárias. Já o vestibular cria uma competição entre os adolescentes, isenta o Estado de abrir vagas para todos e gera a ideia de que só os "melhores" devem chegar à universidade. O primeiro erro é pensar que os vencedores são, de fato, os melhores. Fazer a mesma prova no mesmo horário não estabelece igualdade na competição. As condições de preparação são profundamente desiguais. Salvo exceção, vence o que teve mais tempo e melhores condições de preparação. O vestibular reproduz a desigualdade social.

A segunda falácia do vestibular diz respeito à ideia de que só os melhores devem entrar na universidade. Por quê? É uma concepção elitista, discriminatória e oportunista. Permite a um extrato social manter a ocupação dos melhores espaços da sociedade. A universidade deve receber todo mundo e "melhorar" os menos bons ou os piores. Cada jovem deve ter o direito de ser "melhorado" nos bancos do ensino superior. Deve ser fácil entrar na universidade. Difícil tem de ser a saída. A justificativa para a utilização do vestibular sempre foi a de que não haveria recursos para bancar todo mundo na universidade. É conversa fiada. Por trás dessa racionalização esconde-se a mentalidade meritocrática de reprodução do modelo social dominante. Aos ricos, a universidade. Aos pobres, o ensino técnico. Salvo, obviamente, as exceções que confirmam as regras. O Brasil ficará muito mais decente quando o vestibular acabar.

Volta e meia alguém deixa escapar seu elitismo com um "agora qualquer um entra na universidade" ou "o ensino superior já não é mais o mesmo, pois recebe todo mundo". É isso aí. A universidade precisa receber qualquer um. Exames de saída do ensino médio também são seletivos. Podem ser feitos por fileiras (científica, literária, ciências humanas). Para vencer em cada fileira é adequado fixar um rendimento mínimo em certas matérias. Todos que atingem a meta passam a ter direito a uma vaga. Claro que é mais fácil jogar os jovens numa luta fratricida e lavar as mãos. Chama-se isso de seleção dos melhores. O governo economiza e a sociedade atualiza o mecanismo, denunciado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, da distinção social reproduzida pela educação classificatória. O Chile escolheu um modelo ainda mais perverso: a privatização total da educação. Só estuda quem pode pagar caro. É o mesmo que muitos desejam para a saúde. Um tiro no pé.

O Enem precisa transformar-se no exame único de saída do antigo segundo grau e de entrada no mundo do ensino superior. As resistências são óbvias. É muito mais simples organizar tudo como se fosse um campeonato com troféus
http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=117&Numero=26&Caderno=0&Editoria=120&Noticia=352553
Senado aprova lei que acaba com sigilo eterno de documentos
Regulamentação determina três categorias de informação, com segredo renovável apenas uma vez


25/10/2011 22:33 - Atualizado em 25/10/2011 23:24

O Senado aprovou, nesta terça-feira, o projeto de lei do Executivo que regulamenta o acesso às informações oficiais, com as modificações feitas pelos deputados. O texto aprovado fixa o prazo máximo de segredo dos documentos em 50 anos, eliminando a hipótese de sigilo eterno.

"É preciso deixar bem claro que a Lei de Acesso à Informação não será voltada apenas ao passado, mas também para o cidadão saber controlar como estão sendo investidos os recursos do governo", afirmou o senador Walter Pinheiro (PT-BA). Seu parecer havia sido aprovado em três comissões temáticas antes de seguir ao plenário.

Em 47 artigos, o projeto descreve os procedimentos para que União, Estados e municípios garantam o acesso dos cidadãos a informações públicas. A proposta prevê três níveis de classificações de documentos: ultrassecretos, que terão prazo de sigilo de 25 anos, secretos, com sigilo de até 15 anos, e reservados, que serão abertos após cinco anos.

Esses prazos poderão ser renovados apenas uma vez. Pela legislação em vigor, o sigilo dos documentos ultrassecretos é de 30 anos. De acordo com o projeto, as informações ultrassecretas são aquelas que podem por em risco a defesa e a soberania nacionais.

Assembleia Geral da ONU exige fim de embargo contra Cuba
Resolução foi apoiada por 186 países e é debatida há 20 anos


25/10/2011 15:45 - Atualizado em 25/10/2011 15:54

A Assembleia Geral da ONU exigiu nesta terça-feira pelo vigésimo ano o fim do embargo americano imposto a Cuba há meio século, em uma resolução adotada por uma maioria de 186 países – e apenas dois contra, Estados Unidos e Israel, além de três abstenções.

“O dano econômico direto contra o povo cubano supera os 975 bilhões de dólares”, afirmou o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, ao defender a resolução que condena o embargo e exige seu fim diante da Assembleia Geral reunida em Nova Iorque.

O chanceler da ilha caribenha lembrou que em 1991 e no ano seguinte foi incluída pela primeira vez a questão de eliminar o bloqueio contra Cuba, em um momento em que os Estados Unidos pretendiam com "cruel oportunismo" apertar o cerco contra a ilha, após a queda do bloco soviético.

"É inacreditável o fato que 20 anos depois esta Assembleia continue considerando este assunto", completou, reiterando que "os Estados Unidos nunca ocultaram que seu objetivo é derrubar o governo revolucionário cubano".

Livro reúne 300 capas de jornais alternativos dos anos de chumbo

25 de Outubro de 2011 - 10h36

Dos panfletos revolucionários aos folhetins irreverentes, de Marighella a Lula, o livro As Capas desta História reúne mais de 300 imagens de jornais alternativos, clandestinos e produzidos no exílio entre 1964, ano do golpe, e 1979, quando foi aprovada a Lei da Anistia. A obra traz ainda capas de jornais considerados precursores das publicações surgidas nos anos de chumbo.

A obra foi produzida pelos jornalistas Ricardo Carvalho (coordenador geral), Luiz Del Roio (contexto) e Vladimir Sacchetta (pesquisa), que fazem parte do Instituto Vladimir Herzog. O lançamento será realizado nesta terça-feira (25), na Livraria Cultura da avenida Paulista, em São Paulo.

As imagens de mais de 30 publicações que rodaram no exílio, em países como Chile, México, Suécia, Itália, França, Portugal e Argélia, são inéditas, segundo Carvalho. “Era a forma dos mais de 3 mil exilados se comunicarem. O Luiz Del Roio, que foi exilado, recolheu esses exemplares durante 34 anos. Uma parte ficou guardada em uma fundação italiana até que o Brasil se democratizasse”, relembra.

Na seção dos clandestinos estão publicações das principais tendências da esquerda que atuaram durante a ditadura militar, como a Ação Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighella, que editou O Guerrilheiro, e a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares), de Carlos Lamarca, que produzia o Palmares. Aparecem nesse bloco jornais dos PCs (PCB e PCdoB), de organizações trotskistas e de grupos ligados à Igreja Católica.

O bloco dos alternativos é mais heterogêneo: traz desde capas de jornais do movimento operário, estudantil (O Movimento), da imprensa satírica (O Pasquim, Pif-Paf), experimentos literários, além de publicações ligadas à causa ambiental, gay e negra.

Precursores

Já a parte dos precursores reúne experiências antigas, como o Correio Braziliense – que era editado em Londres, já que a corte portuguesa proibia a produção no Brasil –, além de outras publicações pouco conhecidas, como o Jornal Subiroff.

“Esse foi um achado!”, diz Carvalho. “O Subiroff era escrito em 1920 pelo filho do Nestor Pestana (Nereu Rangel Pestana), que na época era diretor do Estadão. Ele (o filho) inventou um personagem, um agente soviético em terras brasileiras. O jornal trazia as reportagens do ponto de vista desse espião.”

Outro caso que o jornalista gosta de destacar é o de Carlos Azevedo, que ajudava a fazer o jornal do PCdoB. “Em 1966 ele trabalhava na revista Realidade. Depois do expediente, ele saía da revista e caía na clandestinidade”, afirma o jornalista.

Fonte: Uol Notícias

sexta-feira, 16 de março de 2012

Programa radiofônico da ARENA de Humaitá, saudando o Golpe Militar, em 07/04/1974

O Diretório Municipal da Aliança Renovadora do município de Humaitá, sente-se orgulhoso em poder saudar os arenistas do município de Humaitá e da Região.
Saudamos os companheiros.
Saudamos os simpatizantes de nossa causa.
Saudamos as classes produtoras, a indústria, o comércio, as profissões liberais, a classe estudantil, alicerce baluarte e certeza de um Brasil Grande; e a você mulher gaúcha sustentáculo da Revolução Redentora de 1964, as nossas mais efusivas saudações e o preito de reconhecimento.
A mulher brasileira na sua perspicácia, qual sentinela avançada foi a primeira a dar o grito de alerta e demonstrar que o torrão brasileiro pertencia aos brasileiros.
Com sua clarinada, as forças vivas da nação, em especial as forças armadas, assumiram a vanguarda deste movimento que reconquistou a paz, a tranqüilidade, a ordem, o progresso, encetando uma nova caminhada gigantesca de auto-afirmação de um povo, hoje citado e invejado por todos os povos do universo.
Se somos hoje conhecidos, admirados e se deixamos de sair com o chapéu em baixo do braço e pedir auxílio a quem quer que seja, em apenas dez anos deste governo, graça ao desprendimento, a coragem ao tino administrativo, e a vontade férrea de acertar, dos eminentes homens públicos: Humberto de Alencar Castelo Branco, Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, e Ernesto Geisel.
Ernesto Geisel, gaúcho de fibra, cidadão que na sua fisionomia austera, e que inspira respeito, é a certeza, de que, nos momentos mais difíceis, pois que enfrentando um certo desafio, conseqüente dos reflexos da política econômica internacional, saberá encontrar as alternativas que virão ao encontro dos anseios do povo brasileiro.
Bem disse alguém que Nosso Senhor Jesus Cristo também é brasileiro, pois que com sua graça foi eleito para o momento certo o homem certo – Ernesto Geisel.
O Diretório Municipal da Aliança Renovadora Nacional do município de Humaitá, ao comemorar o 10º aniversário da Revolução Redentora, dia 31 de março, externa a sua confiança e a sua certeza nos destinos deste país, pois que na Chefia deste gigante contamos com um gaúcho de fibra invulgar, que apoiado pelo dinamismo e trabalho de um povo, saberá conduzir este país ao destino que lhe está reservado.
Irmanados nestes princípios, o Diretório Municipal da Arena, e seus vereadores, estão alertas a tudo o que ocorre, especialmente em âmbito municipal, responsabilizando e conclamando a todos os eleitores a estarem alertas a tudo o que vem acontecendo pois que os princípios a pessoa humana e coerência com o serviço público, deverão ser preservados.
Saibam os responsáveis, que a população está atenta e que o povo saberá, no momento certo dar a resposta certa, pois a ARENA lutará incessantemente para que a pessoa humana seja respeitada, para que seja dado a César o que é de César, e para que a verdade seja o baluarte dos humaitenses.
A mentira, os boatos, com o intuito de meter medo é o apanágio dos fracos e dos incapazes.
Ao encerrar este programa queremos deixar a nossa palavra de confiança a todas as pessoas de bem.
A ARENA DA REGIÃO CELEIRO, hoje mais do que nunca está unida e alerta em defesa das aspirações do povo desta região.

Fonte: Trabalho de Conclusão de Curso de Cesar Augusto Rossato, pg. 112).

terça-feira, 13 de março de 2012


Golpe contra a democracia

Ronaldo Zulke*

Acompanhei durante a sexta-feira e o sábado últimos o insano processo de impeachment para cassar os mandatos da prefeita Rita Sanco e do vice-prefeito Cristiano Kingeski, ambos do PT, em Gravataí. A decisão foi um atentado ao bom senso, sem respaldo nas alegações e, menos ainda, na opinião pública local. Diante do absurdo impetrado pelo legislativo municipal, lembrei do ensinamento de um dos maiores intérpretes intelectuais do país: Sérgio Buarque de Holanda que, no clássico “Raízes do Brasil”, defendeu a ideia de que o brasileiro é um “homem cordial”. A expressão, quando tomada como sinônimo de bondade, suscita justas controvérsias sobretudo ao ser confrontada com as chagas de violência que marcaram nossa história, do que dão testemunho o largo período de escravidão, a persistent e super-exploração da mão de obra e a imoral indiferença das elites econômicas para com o sofrimento do povo.

O que, no entanto, o pai do Chico pretendeu dizer ao salientar nosso principal traço de caráter é que somos movidos pelo “couer” (coração), palavra que está na raiz etimológica de cordialidade. Comportamo-nos no cotidiano segundo os imperativos da emotividade, e não conforme as leis abstratas, válidas para todos sem exceção, próprias de uma república. A grande dificuldade para alcançar e consolidar os valores democráticos inerentes às instituições republicanas estaria em que costumamos agir impulsionados sobretudo pelos sentimentos e pelas preferências pessoais, e não pelo respeito às regras estabelecidas igualitariamente na Constituição.

Os vereadores que cassaram a representação política e legal do município de Gravataí foram movidos pelo coração, ou melhor, pelos humores de seu fígado, sem nenhum respaldo nos fatos que depusessem contra os legítimos porta-vozes eleitos pela consciência da população. Protagonizaram, assim, um gangsterismo em prejuízo da vontade dos eleitores e da verdade processual. O rancor idiossincrático e não a razão pública prevaleceu entre os edis, mesmo sabendo que as acusações não justificavam o ato extremo. Caberá à Justiça, agora, fazer o que a Câmara Municipal não soube: zelar pela democracia e pelos interesses gerais. O movimento que vemos na Europa e nos Estados Unidos, onde os representados não se reconhecem mais em seus representantes, chegou ao Rio Grande do Sul através de um golpe sujo, sem precedentes. Perde a política, perdem os políticos.

Ronaldo Zulke* é deputado federal (PT/RS)
Sala de espera
Jornal > Juremir Machado da Silva
ANO 117 Nº 21 - PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 21 DE OUTUBRO DE 2011

A vida pode ser muito dura. O sujeito fica um mês tossindo. É uma tosse chata, seca, que sai do nada. Vai dando uma coceira na garganta até explodir. O cara vai ao médico. Toma injeção e xarope. Pensa na parte mais difícil da infância. Como era horrível tomar injeção e xarope. Ao menos, admite, as injeções ficaram menos doloridas. Deve ser a evolução do material. Tudo evolui, até agulha de injeção. O problema é a persistência da tosse. Depois de dois dias de alívio, volta e fica. Parece praga. Parece o Bolívar, sai e volta, sempre piorando. É preciso marcar consulta novamente, alterar a agenda, pensar em prováveis causas. Sempre tem alguém para apavorar: deve ser alguma coisa no pulmão. Ou para aterrorizar de vez: deve ser algo para fonoaudióloga.

O encontro com o médico normalmente é agradável. O problema é a sala de espera. No dentista, tem o barulho da broca, que escapa quando a secretária entra, e aquela música de elevador. Não sei o que é pior. No médico, o problema vem daquelas caras de pânico ou dúvida. O pior mesmo são as revistas. Em toda sala de espera tem a revista Veja. É aí que se termina de adoecer. Alguém precisa tomar uma providência. O Congresso Nacional deveria aprovar uma lei proibindo revista Veja em consultório médico. Veja e Caras. Agrava os sintomas. A pessoa chega mal e fica pela hora da morte. Todo mundo lindo e maravilhoso na Caras. E a figura ali, na sala de espera, de cara no chão, de bunda para cima, exposto, infeliz, anônimo, à espera do diagnóstico, do veredicto, da sentença. Com a Veja tudo é mais grave. Nada mais é assustador no Brasil do que a Veja. Nem escarro de tuberculoso. Sim, ainda existe. Se a Veja publicar algo sobre isso, por acaso, a culpa será das esquerdas da América Latina. A Veja pode ser um erro de diagnóstico. Tudo na Veja pode ser visto como ideologia, no pior sentido da palavra, aquele que a própria Veja condena: dissimulação, racionalização, manipulação dos fatos em benefício de um ponto de vista prévio, encobrimento da história, deturpação consciente dos acontecimentos. Na capa dessa revista deveria ter aquela advertência tradicional: ler a Veja faz mal à saúde. A Veja acha que só faz jornalismo por denunciar a corrupção. Mas denuncia a corrupção no estilo da Tribuna de Imprensa de Carlos Lacerda, conforme a conveniência. Veja adora pseudo-historiadores conservadores. A bola da vez é Leandro Narloch, cuja principal arte é reler o passado de maneira a legitimar as posições de direita da atualidade, tipo os negros também eram racistas, os negros também tiveram escravos. Tudo se equivale, tudo se harmoniza, a infâmia é absolvida, salvo se for em nome das virtudes do lucro e da acumulação de capital. É o tal do remédio amargo.

O que fazer? Manifestações? Por que ninguém organiza pelo Twitter e pelo Facebook uma manifestação contra a revista Veja em consultório médico? Seria uma ação cívica, patriótica, progressista e em defesa da saúde pública. Sala de espera de médico precisa ser saudável. O mal costuma ser o que a Veja pensa e defende. No momento, contudo, mesmo sem ser por virtude, é o que ela revela.

Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br

sexta-feira, 9 de março de 2012

Comissão da Verdade é aprovada na CCJ do Senado
9/OUT/2011
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (19), por unanimidade, o projeto que cria a Comissão Nacional da Verdade (PLC 88/2011). De autoria do Executivo, o texto deverá seguir direto para apreciação no Plenário da Casa, se for aprovado requerimento de Regime de Urgência, que deverá ser apresentado inda hoje pelo líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR).

A notícia agradou a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), que elogiou e agradeceu a compreensão dos parlamentares sobre a importância da celeridade na tramitação da matéria.

“Estamos com uma expectativa bastante positiva em relação à aprovação deste importante projeto no plenário da Casa. O sentimento que temos é que o Brasil inteiro vai acompanhado cada passo deste projeto no parlamento, com bastante entusiasmo. As pessoas já estão buscando informações sobre o tema, comitês já começam a ser estruturados, pois há a compreensão de que a memória e a verdade é um direito do País”, afirmou.

Rosário elogiou a consistência do projeto e disse que a Comissão da Verdade terá um papel eficaz na apuração de períodos obscuros da história do país. “A população brasileira pode ficar tranquila, porque o texto que estamos aprovando no Congresso Nacional constitui firmes dispositivos para conhecermos os fatos ocorridos na ditadura militar. Confiamos que este instrumento é um passo fundamental na democracia brasileira”, destacou.

Relatório - No relatório favorável ao projeto, o relator do projeto, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), lembrou o trabalho realizado pela Comissão de Anistia e a adoção de medidas de reparação "às pessoas atingidas por atos arbitrários cometidos antes da promulgação da Constituição federal de 1988”.  Ele considerou a Comissão da Verdade “um passo distinto e complementar” ao que já foi realizado no país.

O relator manteve o texto aprovado pela Câmara dos Deputados, apresentando apenas duas emendas de redação. Ele considerou desnecessário alterar artigo que trata de documentos sigilosos, como pedem familiares de mortos e desaparecidos políticos, que defendem a abertura das informações ao conhecimento público. Para Aloysio, o texto determina a manutenção do sigilo dos documentos apenas na fase de trabalho da comissão.
    
Assessoria de Comunicação Social com Agência Senado
FAO: situação da fome no mundo é alarmante e dramática
18 de Outubro de 2011 - 12h46
Representantes da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e do Programa Alimentar Mundial (PAM) advertiram nesta terça-feira (18) a comunidade internacional sobre a situação da fome no mundo, considerada por eles alarmante e dramática.

Para os especialistas, a situação se agrava com o crescimento da população mundial e a elevação constante dos preços dos alimentos. A região que mais sofre no mundo é a conhecida como Chifre da África, onde está a Somália.

“Uma em cada sete pessoas no mundo vai para a cama com fome, na maioria mulheres e crianças”, disse a diretora da representação do PAM em Genebra (Suíça), Lauren Landis, no seminário intitulado “Lutar Juntos Contra a Fome”. “A fome mata anualmente mais pessoas do que o vírus que transmite a aids, a malária e a tuberculose”, acrescentou.

No período de 2005 a 2008, os preços dos alimentos atingiram o nível mais elevado dos últimos 30 anos. Os alimentos mais afetados são o milho e o arroz. “A situação assumiu proporções dramáticas a partir de 2008, quando os preços alcançaram um pico histórico e quase duplicaram num período de três a quatro anos”, disse o diretor da FAO em Genebra, Abdessalam Ould Ahmed.

Ahmed acrescentou ainda que a situação atual é “mais dramática” porque o aumento dos preços dos alimentos ocorre no mesmo momento do agravamento da crise econômica internacional.

Para ele, a elevação dos preços é uma consequência, entre outros fatores, do aumento substancial da população mundial. “Cada ano existem no mundo mais 80 milhões de bocas para alimentar”, disse Ahmed.

Fonte: Sul 21
Ato pela Democratização da Comunicação repudia Veja
18 de Outubro de 2011 - 15h10

 

Nesta terça (18) movimentos no Rio e São Paulo realizam atividades pela Semana do Dia Mundial da Democratização da Comunicação. Em São Paulo, o ponto alto será o repúdio a recentes reportagens escandalosas de Veja, como a que denunciou o Ministro do Esporte, Orlando Silva. No Rio, a maior expectativa é pela “faxina” da Globo, nesta quarta (19).


A faxina da emissora de TV representa o descontentamento popular com a leviandade dos veículos de massa.

No ato da avenida Paulista, em São Paulo, os manifestantes farão um novo Tuitaço #SouOrlandoSouBrasil, em solidariedade ao ministro – mais recente vítima da Veja – e em defesa de princípios éticos e leis para a prática do jornalismo. “A mídia sem regulamentação altera a realidade, mostra apenas uma parte da história e faz o leitor acreditar no que não existe”, alegam os organizadores do ato.

Na capital fluminense, a “Fale Rio”, Frente Ampla pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação – Estadual do Rio de Janeiro, organizou uma agenda intensa de atividades na semana. A Frente congrega mais de 80 entidades da sociedade civil não empresarial: centrais sindicais, sindicatos, partidos, movimentos sociais, ongs, institutos, associações, entidades acadêmicas, rádios e TVs comunitárias, rádios públicas, além de ativistas e militantes de luta pela democratização da comunicação no Estado.

No dia 18 de outubro, Dia Mundial pela Democratização da Comunicação, haverá o lançamento simbólico da “Plataforma por um novo Marco Regulatório das Comunicações no Brasil”, às 16 horas, no Buraco do Lume (Rua S. José). Este evento também ocorrerá em outras capitais e no Distrito Federal nesta terça..

Será um ato político-lúdico-cultural, com música, dança, teatro, poesia e algumas falas políticas. Já na quarta (19), às 13 horas, haverá a 'faxina' na porta da TV Globo, na rua Von Martius. Iniciativa dos estudantes, que a Fale Rio decidiu apoiar.
Grande estréia... Agora sou blogueiro também.

Finalmente colocando em prática um sonho antigo. Espero contribuir com a democratização de informações. Que este blog ajude a desvendar os olhos (e a mente) daqueles inocentes prisioneiros da alienação cultural. Algo como uma "luzinha" do Mito da Caverna, de Platão.

A idéia é trazer ao (eventual) público informações referentes a temáticas diversas tais como música, política, agroecologia e o que mais este cidadão julgar digno de tal. As postagens não terão uma frequência definida, porém procurarei compartilhar as informações que chegarem a mim o mais rápido possível. Minhas fontes contarão sempre com a respectiva referência.

Farei meu comentários pessoais a medida do possível e do necessário. Não sendo este o objetivo principal. Porém, gostaria muito (e seria a completa potencialização deste blog), que algum tipo de debate fosse gerado com aqueles que comunharem das mesmas preocupações.

A princípio, este debutante blogueiro manifesta-se "sem lado". Aliás, do lado dos "sem lado", porque não ter um lado já é um lado. A princípio...

Abraço a todos!

Márcio Cristiano Feyh