O dispêndio de dinheiro do
governo de São Paulo do PSDB para com a
grande mídia, que tanto apreço demonstra por ele, atinge as raias do inacreditável; segundo o
Namarianews, mais de 250 milhões de reais foram gastos na década passada, tudo sem licitação. Desse total, comprovado com dados do
Diário Oficial, a Editora Abril/Fundação Victor Civita recebeu inacreditáveis R$ 52.014.101,20 para comprar milhares de exemplares de diferentes publicações.
Quando
Serra se candidatou pelo
PSDB à
Prefeitura de São Paulo, anunciou o jornalista Fábio Portela, ex-editor da revista Veja, como coordenador de imprensa de sua campanha.
Em 14 de junho de 2013, enquanto as atenções estavam voltadas para os protestos nas ruas de São Paulo, o Diário Oficial do Estado publicou a compra – sem licitação – de 15.600 assinaturas semestrais dos jornais
Folha de São Paulo e
O Estado de São Paulo, além da revista
Veja, pelo governo de
Geraldo Alckmin do PSDB, para serem distribuídas nas escolas da rede pública, ao custo de quase quatro milhões de reais.
Agora ficou mais claro o que quero dizer quando falo em promiscuidade entre poder político e poder econômico, não é?
Não é à toa que a
grande mídia, parcial e defendendo o interesse de determinados setores políticos, foi tachada de “PiG”.
Mas afinal, como assim, PiG?!?
O termo é utilizado para se referir à qualidade do
jornalismo praticado pelos grandes veículos de comunicação do Brasil, que seria demasiadamente conservador e que teria o intuito de prejudicar de forma constante a
esquerda, os movimentos sociais e os valores progressistas em geral, e mais especificamente o
PT e seus governos.
O PiG, segundo ele, teria sua origem com
Carlos Lacerda, que ajudou a “matar Getúlio Vargas“; lutando em favor do golpe contra
João Goulart, aliado à ditadura militar; teria perseguido o governo Brizola; e agora conspiraria contra os governos
Lula e
Dilma.
Pois bem, o jornal inglês
The Guardian e outros órgãos da imprensa (como o francês
Le Monde) vazaram documentos internos da filial suíça do banco inglês
HSBC, que mostram que essa instituição ajudou 106 mil clientes com contas secretas a sonegar impostos no valor de 120 bilhões de dólares (334 bilhões de reais) entre 1988 e 2007. Segundo os documentos divulgados, o banco orientava seus clientes a fugir de impostos e facilitava crimes como a lavagem de dinheiro. Também, ajudou a manter contas secretas, para evitar que clientes ricos tivessem de pagar imposto de renda, além de ter aberto e mantido contas para criminosos e corruptos.
Um ex-funcionário do
HSBC, chamado
HervéFalciani, que trabalhava no setor de Tecnologia da Informação (TI) da empresa, foi quem vazou os documentos.
Há mais de 8 mil brasileiros na lista. Segundo o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (
ICIJ) existem mais de 6 mil contas relacionadas ao Brasil, que somam juntas mais de 7 bilhões de dólares (19 bilhões de reais). É dinheiro demais.
Entre outros figurões, foram divulgados os nomes de 11 envolvidos na
Operação Lava Jato (que investiga casos de corrupção na Petrobras).
São muitas pessoas envolvidas, como ricos e conhecidos políticos, empresários etc.
No site do consórcio de jornalistas há uma lista que pode ser acessada, mas os colunistas da
revista Veja se calaram, não se mostraram indignados com o caso.
O mesmo com a
Rede Globo, que trata do assunto com a maior discrição.
Para a parcela mais culta da população brasileira, não somente a televisão, mas o rádio, jornais e revistas, também serviam como fonte de informação, mas para a maioria da população, a televisão foi a única fonte reconhecida de informação durante décadas. Por isso que a
grande mídia – e em especial a Rede Globo – se tornou tão poderosa.
Quando as famílias nas milhares de cidades de todas as partes do Brasil viam no telejornal uma denúncia contra algum político, isso quase sempre significava o fim de qualquer pretensão dele ser eleito. O oposto valeu também, quando os telejornais transmitiam matérias elogiosas sobre um político qualquer, isso quase sempre significava garantia de sucesso eleitoral. Sem falar em todos os casos de omissão, quando
escândalos de corrupção ou então boas realizações eram propositalmente esquecidos pelos telejornais, para que a população continuasse sem saber o que acontecia.
O estágio atual da
Operação Lava Jato e em especial a forma como a imprensa cobre o assunto, demonstram claramente a tentativa de exercer o poder através da informação (ou falta dela). Jornais e portais de notícias deram imenso destaque para elementos das defesas de alguns dos acusados. “Corrupção partiu de políticos,” registrava uma das matérias, com base em trechos da defesa do doleiro Alberto Youssef. “Em nome de partido ou de governo,” Paulo Roberto Costa fazia “achaques” às empresas e aos empresários, assinalava outra matéria, reproduzindo trecho de peça redigida pelos advogados do vice-presidente da Engevix. “Se houve cartel, líder foi Petrobras,” destacava uma terceira matéria, a partir de trechos de peça apresentada pelos advogados da UTC.
Um fato ignorado pela
grande mídia é que na
Lava Jato temos a primeira vez na história do Brasil em que um cartel é realmente investigado em toda a sua extensão (políticos e empresários, corruptos e corruptores).
A tentativa da
grande mídia de jogar a culpa no colo do
PT é patética, primeiro porque a investigação ainda está em curso e principalmente porque existem indícios fortes demais apontando para o envolvimento de políticos de vários partidos, do governo e da oposição.
Nos tempos de
FHC o jornalista Paulo Francis também denunciou a corrupção na Petrobras.
Houve investigação? Quem cometeu crimes foi punido? Claro que não.
No que se refere à
grande mídia, o interesse em relação à
Petrobras é claro: a desestabilização visando a privatização. A abertura do capital da maior empresa pública brasileira ao capital privado estrangeiro é o objetivo da grande mídia e demais setores conservadores (políticos, banqueiros etc). Isso nem é algo velado, está em editorial de O Globo.
Nem estou me referindo às clássicas tiradas, de caráter mais simplório, como o jogo com termos e números no intuito de manipular a informação para os desavisados. Por exemplo, quando na primeira página a primeira manchete diz “Aprovação de Dilma cai” e a segunda manchete logo abaixo diz “Aprovação de Alckmin passa de 48% para 38%”.
Jornais, rádios, revistas e telejornais, muito conhecidos, martelavam dia após dia matérias dizendo que o subsídio à gasolina prejudica a
Petrobras (quando o governo não aumentava o preço ao consumidor), e esses mesmos jornais, rádios, revistas e telejornais, hoje, após a correção do preço do combustível no segundo mandato de
Dilma, dizem que o aumento da gasolina prejudica o consumidor e que o governo não consegue controlar a
economia…
Realmente, o início do segundo mandato de
Dilma não vem sendo bom, pelo contrário; há a falta de chuvas, a interminável agonia da
Petrobras, a estagnação da
economia (inflação em 2,6%), a hostilidade das esquerdas ao ministério, as malcriações da direita (que abusa de um discurso cada vez mais grosseiro),
Eduardo Cunha presidente da Câmara…
Mas isso tudo nem se compara com o início desastroso do segundo mandato de
FHC em 1999; a inflação anualizada saltou de 1,78% para 20%, a cotação do dólar de 1,32 para 2,16 com a perda de 48 bilhões de dólares (o que torna coisa miúda os desvios até agora denunciados na
Petrobras), três presidentes diferentes no Banco Central (um dos quais preso pela Polícia Federal).
Você se lembra qual foi o tratamento dispensado a
FHC em 1999 pela
grande mídia? Suave. Bem diferente do bombardeio a que são submetidos os governos do PT.
Ainda incerto sobre a grande mídia favorecer os conservadores?
A Rede Globo é acusada de ter ajudado a eleger o candidato Fernando Collor de Mello nas eleições de 1989, especialmente através da manipulação de trechos do último debate entre Collor e Lula na TV. A edição polêmica foi apresentada no Jornal Nacional, na véspera da votação e num momento em que não poderia haver mais propaganda partidária. A edição da revista Veja às vésperas da eleição, louvando Collor com destaque inclusive na capa e atribuindo a Lula a imagem de um comunista rebelde e truculento, também cumpriu um papel importante na vitória de Collor.
Em 2009, Fernando Collor admitiu que foi favorecido.
Em agosto de 2010, o Tribunal Superior Eleitoral (
TSE) concedeu ao Partido dos Trabalhadores (
PT) direito de resposta a ser veiculado pela Veja. A decisão do TSE se deve à publicação da reportagem “Índio acertou no Alvo“, sobre as declarações do deputado Índio da Costa acerca das supostas ligações entre o PT e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (
FARC) e o narcotráfico. Sobre a concessão do direito de resposta, o ministro Hamilton Carvalhido afirmou que “há uma linha tênue que separa o legítimo direito de exercer a liberdade de imprensa e seus abusos“.
Em setembro de 2010 representantes de partidos políticos e entidades de esquerda fizeram em São Paulo um ato intitulado “Em defesa da democracia e contra o golpismo midiático“.
O
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé é uma entidade e movimento social com objetivos de obter a democratização do sistema de mídia e apoio à imprensa alternativa. Foi lançado em maio de 2010 e seu nome é uma homenagem a
ApparícioTorelly, escritor e pioneiro no humorismo político brasileiro, jornalista de importância para mídia alternativa.
O pior é saber que a maioria dos jornalistas que se submete aos barões da mídia tupiniquim e desce a lenha nos
governos do PT indiscriminadamente, ainda assim é esfolada pelos chefes. O quadro das redações da
grande mídia brasileira é ruim: “pejotização“, assédio moral, demissões, arrocho salarial, precarização do trabalho e clima hostil.
E agora?
O colunista da Veja Reinaldo Azevedo ficou satisfeito.
Quais áreas? Haverá cortes em atividades-meio, como contratos de informática e compra de equipamentos, ou seja, outros trabalhadores e fornecedores é quem serão prejudicados para que as mordomias dos congressistas possam ser maiores, e agora incluindo novamente até as esposas. Bolsa-esposa de parlamentar ele aprova, mas Bolsa-Família de 70 reais para milhões de famílias necessitadas, aí reclama, meritocracia neles.
Ocupante de um posto da
ONU criado em 1993, David Kaye faz parte do
Conselho de Direitos Humanos da organização e tem como missão monitorar violações à liberdade de expressão em países ao redor do mundo, além de cobrar explicações de governos, instituições independentes e outras entidades quando o direito à informação estiver sob ameaça.
Enviado ao Brasil, ele afirmou que “regulamentar a mídia pode ser bom para a liberdade de expressão” e que “uma regulamentação da mídia que garanta uma “multiplicidade de vozes” no espaço público pode ser positiva para o Brasil – como o é para qualquer democracia”.
Ao invés de enfrentar com franqueza o debate, assumindo publicamente que defendem que as empresas de comunicação permaneçam nas mãos de meia dúzia de famílias,
os adversários da regulamentação (a grande mídia e os políticos relacionados) buscam desqualificar um debate necessário, apresentando toda tentativa de quebrar o oligopólio – proibido pela Constituição – como um suposto ato autoritário da “ditadura bolivariana do PT”.
Pior, uma grande parte da população brasileira, teoricamente instruída, ao invés de perceber o quão prejudicial para a
democracia é essa situação em que nos encontramos, com essa grande mídia e essa justiça, parciais e em nada isentas, prefere acreditar que não há problema algum com a nossa grande mídia e além disso prefere apontar que os petistas é que são cegos, por ignorar as denúncias ao
PT (feitas na grande mídia pela grande mídia), ou então acreditar que o PT é que quer tomar a grande mídia para si…
Sim, há veículos jornalísticos que defendem o
PT e a
esquerda, assim como há muitos mais que defendem o
PSDB e a
direita, o problema é apontar a falta de isenção como um problema distribuído uniformemente na imprensa brasileira. É um sofisma muito usado hoje.
Na verdade o que temos no Brasil é: algumas revistas, websites e blogs tendenciosamente de esquerda, e do outro lado, além de websites e blogs, também os maiores veículos jornalísticos do país há décadas tomando partido em favor do conservadorismo e sempre atacando o
PT e a
esquerda(veículos ricos de abrangência nacional, como as redes de televisão e rádio e os grandes jornais e revistas; muitos deles concessões públicas, resultado da promiscuidade entre poder público e aqueles que viriam a ser os “barões da mídia” no Brasil, além das concessões que acabaram nas mãos dos próprios políticos).
A Globo estava alinhada ao pensamento governista durante a ditadura militar e para alguns a Globo não é golpista, quando na verdade a Globo era golpista sim, defendendo um governo golpista, assim como hoje manipula a informação para tentar forjar a verdade, visando a tomada do poder por parte de seus aliados. No Brasil de hoje é uma falácia dizer que a grande mídia é tendenciosa mas não golpista.
Que a grande mídia é golpista é um fato, não é preciso ser petista para enxergar, e enxergar isso não significa “defender cegamente o PT e o governo“.
Claro que existem esquerdistas cegos que não são isentos e defendem a qualquer custo até o que deveria ser indefensável, assim como existem conservadores assim também, como por exemplo os tais “barões da mídia” e seus seguidores. Mas isso não deve servir de pretexto para evitarmos a discussão sobre a necessidade de uma regulação econômica da mídia no Brasil.
Segundo
Luis Nassif,
Dilma começou uma estratégia de comunicação cortando o problema da grande mídia na raiz, ou seja, cortando verbas de publicidade do governo para o PiG. A resposta tem sido mais pancadaria da grande mídia para com o governo federal (caso não tenha estômago para assistir aos telejornais, como eu, basta ver o
manchetômetro). Além, é claro, do PiG continuar blindando
FHC e o
PSDB contra qualquer uma das inúmeras denúncias que continuam sem investigação.
O cidadão tem outros meios para se mobilizar, como por exemplo o eleitor que entrou na justiça contra a Globo por manipulação de informação nas últimas eleições. Ou então os coletivos e movimentos sociais. Mas acredito que o melhor lugar para a luta em prol de mudanças positivas na mídia brasileira deve ser na própria comunicação!
Que fique claro, a grande maioria da
esquerda brasileira não tem interesse algum em tomar para si a grande mídia com o intuito de reproduzir o modo leviano e imoral como atua a grande mídia desde sempre. Como diz o professor, escritor e produtor
Bernardo Kucinski, a comunicação é o desafio da esquerda.
A
regulação da mídia é algo justo e urgente, mas para que exista equilíbrio entre veículos de diferentes matrizes, a meu ver, a
esquerda precisa entender que o caminho é a internet. E ouso dizer que a esquerda já está percebendo isso, sim.
Para o jornalista e escritor Fernando Soares Campos, “sem a internet, dificilmente Lula teria sido eleito; se fosse, não assumiria; se assumisse, teria sido golpeado com muita facilidade. O PIG é forte, é Golias, mas a internet [está] assim de Davi!”. Para Campos, a existência da Internet interferiria com o monopólio da informação por parte dos grandes grupos midiáticos, e essa interferência dificultaria os golpes.
Nassif defende que o desabrochar da sociedade civil na Internet seria a saída contra o PiG; estruturas como blogs, ONGs, OSCIPs, sindicatos e movimentos sociais estão entrando na rede e passando a disputar com os grandes grupos midiáticos pela audiência e pelas opiniões políticas.
Eu concordo plenamente,
Lula e
Dilma só conseguiram ser eleitos presidente do Brasil por conta da internet.
A
internet chegou trazendo o outro lado, trazendo uma variedade de fontes de informação a que antes um cidadão comum nunca poderia ter acesso. A internet é a maior ameaça à grande mídia golpista no Brasil.
A
internet é a esperança de um futuro onde a informação seja compartilhada e distribuída de modo que qualquer cidadão possa formar sua própria opinião.
Hoje, com a
internet, todos podemos ser cinegrafistas, diretores, editores, atores e donos do nosso próprio canal, com nossa própria programação de rádio ou TV. Não são mais necessários milhões para montar uma emissora, temos o youtube, o vimeo, grátis.
É mais difícil mascarar uma notícia, manipular a informação, pois perdeu-se a exclusividade.
O acesso crescente à internet e as altas nas vendas de Smart TVs e Smatphones são uma real ameaça para os canais tradicionais.
Como diz Ediel Rangel, ou a radiodifusão tradicional muda, ou quebra!
Este texto aqui é apenas mais uma contribuição para esse debate tão importante, graças à
internet e a pessoasdispostas a evoluir.
Fontes: