quinta-feira, 4 de abril de 2013

A ideologia brasileira da mesquinharia


Juremir Machado da Silva, 4 de abril de 2013

O mesquinho acha-se moderno, pragmático, altivo, crítico, autônomo e visionário. Acredita que toda forma de proteção social, desde que não seja a empresas, é uma forma de populismo, de paternalismo e de assistencialismo.

A ideologia da mesquinharia usa sempre o mesmo argumento falacioso: não se deve dar o peixe, deve-se ensinar a pescar. Não se deve dar bolsa-família, deve-se dar empregos. Justamente os empregos que nunca foram dados pelos partidos que apoiam. E não foram dados por não existirem. E não existiram por incompetência na sua criação, por falta de um modelo adequado ou por impossibilidade conjuntural ou estrutural de serem gerados.
O mesquinho entende que, se os empregos não existem, os necessitados devem ralar-se. Que fiquem passando fome até que seja possível criá-los.

Nessa lógica, o mesquinho promete o futuro, não se lembra do passado e ignora o presente. Explora sofismas, meias verdades e mentiras inteiras como formas de justificar a sua indiferença pelo sofrimento dos outros. Espalha que o assistencialismo gera preguiça. Faz crer que a maioria das pessoas vai preferir viver com R$ 70 sem trabalhar a viver com R$ 700 trabalhando.

Essa é uma das asneiras mais difundidas por espíritos malignos, gente ruim, ideólogos da maldade, mas, principalmente, mentes toscas. Isso até pode acontecer de maneira marginal, mas jamais, estatisticamente falando, como tendência global. Viver bem, com trabalho, continua sendo mais interessante para a maioria do que viver mal sem trabalho. Salvo quando a alma do indivíduo alquebrado já está saturada e ninguém mais pode lhe incutir esperança, o que ocorre quando o sistema atrofia o gosto pela vida.

A ideologia da mesquinharia é dissimulada, ardilosa, cruel. Prefere gastar em repressão a investir em ajuda social. Todo adepto da ideologia da mesquinharia é um radical, um fundamentalista, um xiita, um extremista, um fanático da ordem dos cemitérios, da asfixia social, do parasitismo absoluto.

O mesquinho passa o dia repetindo chavões como se fossem pilares da modernidade. Acredita, como uma anta, que toda crítica aos excessos do capitalismo é uma defesa do comunismo.Vê em toda ressalva do modo de vida americano, marcado pelo consumismo, uma adesão ao estilo de vida cubano.

O mesquinho tem cérebro de ervilha. Mas não consegue enlatá-las para vender. Gasta o seu tempo no ódio aos demais. É pouco rentável.

As asneiras dos mesquinhos incluem: acreditar que Lula, de fato, se tornou milionário, ou bilionário, e que a revista Forbes publicou uma capa com ele como um dos homens mais ricos do mundo; crer que destacar os aspectos positivos das cotas, do bolsa-família, do ProUni e de outras políticas assistenciais dos governos do PT, é ser petista; difundir a ideia de que nunca houve tanta corrupção no Brasil, como se a corrupção atual, enorme e condenável, não fosse a mesma de antes; acreditar que a meritocracia realmente seleciona os melhores num sistema de desigualdade na competição e não que serve de mecanismo de reprodução dessa desigualdade.

Enfim, melhor não ser muito sofisticado na análise para não confundir as mentalidades mesquinhas mais lentas e pesadas.

Usina de ódio, de ressentimento e de rancor, o mesquinho odeia as ruas engarrafadas por causa do acesso dos pobres aos automóveis; odeia os aeroportos cheios por causa das viagens da classe C; odeia as universidades “rebaixadas” pela entrada dos que deveriam fazer cursos técnicos; odeia esses pobres que votam com o estômago; entende que só os ricos podem votar com os bolsos; vê como a modernidade a permanência dos pobres na pobreza, à espera dos empregos do futuro, e uma elite desfrutando da climatização. São os mesmos que se venderam aos Estados Unidos, em 1964, para evitar as reformas de base: reforma da educação, agrária, bancária, tributária, etc.

O Brasil corria um sério risco: poderia ficar melhor para a maioria.
A ideologia da mesquinharia deu o golpe para salvar-nos da melhoria.

Atrasou o país em mais de 20 anos.

Continua a cantar o refrão: o perigo comunista.

São fantasmas de opereta.

O comunismo acabou.

Falta construir um capitalismo muito melhor.

Uma verdadeira social-democracia.

Para isso, será preciso ensinar geografia aos mesquinhos.

Falar-lhe dos países escandinavos, etc.

O mesquinho adora Estado mínimo em economia e Estado máximo em moral. Gostar de meter-se na vida alheia para domesticá-la como seu moralismo.

Todo mesquinho é um moralista de ceroula.

terça-feira, 2 de abril de 2013

A TRAIÇÃO DE EDUARDO CAMPOS E 1964 NUNCA MAIS

DAVIS SENA FILHO, 1 DE ABRIL DE 2013, ÀS 17:56
O Partido Socialista Brasileiro (PSB) é um dos três partidos que compõem o triunvirato da esquerda brasileira, que, juntamente como o PMDB, o PDT, além de outros partidos, formam uma aliança vitoriosa e que vai completar, em janeiro de 2015, 12 anos no poder, no que concerne a assumir a Presidência da República, e, consequentemente, desenvolver o Brasil como nunca se viu antes em sua história. 

Esta realidade tem frustrado e irritado fortemente a direita tupiniquim colonizada, legítima herdeira da escravidão e uma das mais perniciosas, perigosas, perversas e traidoras deste planeta, porque foi, é e sempre será aliada dos interesses geopolíticos e econômicos de países estrangeiros, a exemplo dos EUA e das potências europeias.

A direita estadunidense e a colonizada brasileira têm os mesmos interesses, mas com uma importante diferença. Os yankees direitistas não entregam seu país para as forças alienígenas, como o fizeram os subservientes e subalternos do Brasil, que, na verdade, não têm nenhum compromisso com a Nação e por isto despidos de nacionalidade e sentimento de brasilidade, pois vazios de ideais.

Essa gente odeia e despreza este País e somente espera do nosso povo trabalhador que ele trabalhe e multiplique seus lucros para que essa classe dominante carcomida em seu espírito e degenerada em seus valores possa viajar ou passar temporadas no que ela considera como suas côrtes, a exemplo de Nova York, Londres, Paris e, evidentemente, Miami.

Temos, sem sombra de dúvida, uma classe social rica e uma classe média portadoras de complexos de vira-latas que deixariam até o Nelson Rodrigues boquiaberto, estupefato, quiçá, desgostoso, mesmo sendo o talentoso escritor considerado um homem politicamente conservador, apesar de ser revolucionário no que diz respeito a observar e analisar a sociedade brasileira.
Quando os golpistas de 1964 derrubaram o trabalhista João Goulart, um presidente constitucional, eleito pela maioria da população e que, tal qual ao estadista Getúlio Vargas, apresentou aos cidadãos um programa de governo e um projeto de País generoso e que visava, sobretudo, emancipar o povo brasileiro, os trogloditas de direita, que desde 1930 tentavam em vão voltar ao poder, rebelaram-se. 

A direita não permitiria, em hipótese alguma, que outro mandatário trabalhista assumisse o poder depois da renúncia, em 1960, do presidente Jânio Quadros, político conservador, mas difícil de ser enquadrado. O Jânio de temperamento forte e personalidade independente e até mesmo histriônica, que decepcionou a direita golpista, inconformada que ficou com a política externa do presidente, considerada exageradamente progressista em tempos de Guerra Fria. Jânio recebeu Ernesto Che Guevara e o homenageou com medalhas e comendas, o que causou grande insatisfação em nossos pequenos mussolinis teleguiados pela propaganda e pela política anticomunista do Tio Sam.

O presidente das vassouras e dos bilhetes de recados, que levou desconfiança aos políticos conservadores, e, principalmente, aos barões midiáticos, que usavam a imprensa de negócios privados como porta-voz do pensamento único, reacionário, elitista, de fundo golpista e por isto propunha abertamente, por intermédio de suas manchetes, o impedimento de João Goulart, no que tange a assumir a Presidência da República, o que não foi possível ser realizado naquele momento.

O golpe derrotado, em 1961, por causa da reação do Rio Grande do Sul, na pessoa do governador trabalhista, Leonel Brizola, que efetivou a Cadeia da Legalidade, armou a Brigada Militar, a fim de rechaçar qualquer invasão através da resistência, além de ter conseguido ter o importantíssimo apoio do general José Machado Lopes, comandante do III Exército.

O movimento frustrou de vez as intenções ilegais e criminosas dos golpistas, que odeiam o Brasil, porque o País que eles querem, por exemplo, não é o Brasil que eu quero e que a maioria da população brasileira quer. É por isto, em termos práticos, que os eleitores, nos últimos dez anos, têm votado em políticos trabalhistas, a exemplo de Lula e de Dilma, bem como derrotado o PSDB tucano. Partido carro-chefe da coalizão de direita, que no poder, durante oito anos, desempregou o trabalhador brasileiro, não investiu no País, seja em qualquer área ou segmento, além de ter quebrado o Brasil três vezes, porque o governo emplumado de FHC – o Neoliberal – foi ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires nas mãos.

Dito isto, voltemos ao governador Eduardo Campos. Tal socialista se transformará em um pária das forças políticas progressistas? A mosca azul picou o pernambucano de tal maneira, que ele, sem condições de vencer as eleições presidenciais de outubro 2014, insistirá com essa aventura? É mais fácil e factível que Eduardo Campos tire votos dos tucanos e não dos trabalhistas representados por Dilma Rousseff.

O PSDB paulista, dono do dinheiro e aliado da Fiesp e da grande mídia historicamente golpista abrirá mão de um candidato de suas hostes para ficar em um segundo plano? Os tucanos oferecerão, humildemente, o candidato a vice de Campos? E o vice será o senador Aécio Neves? Não creio. Essa realidade tem tudo para não acontecer. E a outra candidata, Marina Silva, entrará nessa construção política para tentar derrotar os trabalhistas, cuja candidata teve, recentemente, 76% de aprovação?

A verdade é que se a direita bobear, Eduardo Campos, se for mesmo candidato, poderá prejudicar duramente o campo da direita, que está desesperado, porque, além de não ter programa de governo e projeto de País, que possa ser uma opção às propostas e às ações dos trabalhistas, não tem um candidato que, até o momento, una os conservadores e que, de fato, tenha voz ativa em todo País, bem como muito votos nas urnas.

Agora, a pergunta que não quer calar: a direita partidária, seus eleitores e sua máquina de moer reputações - a imprensa alienígena e de mercado, confiam mesmo no senhor Eduardo Campos, ao ponto de deixarem o senador Aécio Neves ou outro que o valha a sentar no banco de reservas? A verdade é que a direita está exaurida e é capaz de apoiar até mesmo um revolucionário marxista para derrotar o PT de Lula. Mais do que oposição e ideologia, tornou-se obsessão.

A candidatura de Eduardo Campos é inviável e pode se tornar uma farsa. O governador enfrenta oposição em seu partido e forte resistência junto aos aliados. Ele abandonará um projeto do qual ele faz parte desde 1989 e uma coalizão que mudou o Brasil para melhor, sem calcular as perdas e os danos? Assim, como num passe de mágica? Creio que ainda tem muito água para passar por debaixo dessa ponte.

Além disso, como hoje é o dia 1º de abril – o Dia do Mentiroso ou da Mentira - quero dizer que o violento golpe de estado de 1964 e os 21 anos de ditadura foram os maiores e os mais graves crimes perpetrados contra o povo brasileiro. O golpe de 1964 é a maior traição da Pátria brasileira em toda sua história.

Militares, policiais, políticos de direita, barões da imprensa, empresários urbanos e rurais, cardeais e bispos e parte da classe média conservadora foram cúmplices e se associaram para tomar criminosamente o poder constituído. Permitiram que estrangeiros (EUA/CIA) influíssem e participassem das estratégias do golpe. Eles implementaram no Brasil o assassinato, a tortura, a censura, o exílio, a cassação, a prisão sem causa justa e legal e a destruição da democracia.

E toda essa violência foi feita em nome de Deus, da liberdade, da democracia, da família, da moral e dos bons costumes. Grandes e pequenos mussolinis se deleitaram, se locupletaram e enriqueceram. Atrasaram o nosso desenvolvimento social e econômico por mais de 50 anos. E hoje ainda tem gente que comemora tal vilania, desfaçatez e despropósito. Traidores! É isso aí.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/97715/A-trai%C3%A7%C3%A3o-de-Eduardo-Campos-e-1964-nunca-mais-trai%C3%A7%C3%A3o-Eduardo-Campos-1964-nunca-mais.htm

segunda-feira, 1 de abril de 2013


Mais de 1.057.000 pessoas foram mortas por armas de fogo nos EUA desde que John Lennon foi baleado e morto em 08 de dezembro de 1980. (Yoko Ono - https://twitter.com/yokoono)