quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A sociedade não silenciará

A senadora Katia Abreu, em sua coluna na Folha, criticou a atuação do Ministério Público Federal (MPF) e, em especial, deste membro, acusando-nos de promover o que chamou de "fundamentalismo ambiental" ("Pragas ideológicas", 12/10).

Em realidade, a crítica foi uma reação contra solicitação que dirigimos à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), a fim de que esta promovesse audiência pública, bem como mais estudos técnicos, antes que sejam liberadas para comercialização sementes transgênicas de soja e milho resistentes a agrotóxicos perigosos. O principal deles é o herbicida 2,4-D, usado inclusive como arma química na Guerra do Vietnã e considerado extremamente tóxico pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O pedido do MPF foi motivado por informações prestadas por vários pesquisadores, alguns membros da própria CTNBio. Segundo se suspeita, a liberação comercial poderia proporcionar um aumento relevante do consumo de 2,4-D no Brasil, país que já é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo.

Na solicitação que enviamos ao órgão, não determinamos que fossem indeferidas as liberações (que beneficiariam grandes empresas estrangeiras, as quais lucram com a produção simultânea de agrotóxicos e sementes transgênicas resistentes aos mesmos agrotóxicos).

Simplesmente solicitamos que as sementes que ainda não foram autorizadas para circulação econômica sejam objeto de mais exames, com participação da sociedade civil.

Essa medida de cautela é motivada pela necessidade de se respeitar os direitos da população à saúde, à alimentação e ao ambiente equilibrado, os quais não podem ser sacrificados a fim de satisfazer o interesse de empresas internacionais.

Também nos preocupa a possibilidade de que as liberações das sementes em questão aumentem a dependência do setor rural brasileiro aos produtos fornecidos pelas multinacionais --tanto das próprias sementes quanto dos agrotóxicos aos quais elas são resistentes.

Essa dependência não é boa nem ambientalmente (como já vimos), nem economicamente, pois gera um aumento de custos na produção, prejudicando principalmente os pequenos produtores, que não têm recursos suficientes para adquirir tais tecnologias genéticas e químicas.

Voltando ao pedido de audiência pública que fizemos à CTNBio, ele foi submetido ao órgão no último dia 17, sendo acolhido pela maioria simples dos presentes. Contudo, como não foi alcançado o quórum regimental de maioria absoluta para aprovação, a CTNBio decidiu por não promover o debate público.

Em razão de tal deliberação, decidimos promover no próprio MPF a audiência pública, a fim de debater com a sociedade civil os efeitos diretos e indiretos que podem ser produzidos caso sejam liberadas as sementes transgênicas de soja e milho tolerantes ao herbicida 2,4-D.

Todos serão convidados para essa audiência popular, inclusive a senadora Katia Abreu, que poderá, democraticamente, continuar a defender os interesses econômicos das empresas estrangeiras, dentro de um espaço público em que a sociedade não se calará e em que será dada voz a todos.

ANSELMO HENRIQUE CORDEIRO LOPES, 32, doutorando em direito constitucional pela Universidade de Sevilha (Espanha), é procurador da República no Distrito Federal

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/135367-a-sociedade-nao-silenciara.shtml

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

As mazelas do Lasier (por Laura Wottrich e Lúcio Centeno)

Data: 16/out/2013

O Jornal do Almoço, da RBS/TV, trouxe uma novidade no dia 7 deste mês: o apresentador comentarista Lasier Martins despediu-se do programa depois de 27 anos de atuação. Foi, porém, menos uma despedida e mais um comício. Os distintos telespectadores foram informados que Lasier partia “para enfrentar um projeto político eleitoral”. Assim, com todas as letras e ênfases. “Saio um ano antes para preparar as propostas que vou submeter ao eleitorado no ano que vem”, disse o futuro candidato ao Senado, valendo-se do canhão midiático da RBS/TV para desancar “os maus serviços públicos, as corrupções, a impunidade, a precariedade nas estradas, os escorchantes impostos”.

Foram seis minutos e 18 segundos de propaganda eleitoral antecipada realizada num veículo cujo uso é regido por concessão pública. Seis minutos e 18 segundos que a legislação não autoriza conceder a ninguém. Seis minutos e 18 segundos que nenhum candidato ou pré-candidato ao Senado Federal dispôs ou disporá. O Ministério Público Eleitoral está avaliando o caso, a partir da representação realizada pelo Levante Popular da Juventude na última semana.

O partido do Lasier

Lasier escolheu o PDT para sua candidatura ao senado, mas não é uma criatura política gestada no ventre do trabalhismo em qualquer de suas vertentes. Identifica-se mais com outra sigla, muito mais poderosa e influente. Lasier é um rebento do partido que hegemoniza a política no Rio Grande do Sul, cuja sede ergue-se na confluência das avenidas Ipiranga e Érico Veríssimo. Ali está, tão transparente quanto as águas do arroio Dilúvio que escorrem pastosamente diante de sua fachada, refletindo e interpretando a construção imponente de alumínio, cimento e vidro: chama-se RBS.

Dali se constrói e destrói governadores, senadores e deputados. Esta operação, evidentemente, é realizada pelos demais conglomerados de comunicação no Brasil. O diferencial que a RBS vem imprimindo nessa relação promíscua com o sistema político é justamente o fato de eliminar os mediadores na representação de seus interesses. Ao invés, de sustentar candidaturas alinhadas com seus interesses políticos, ela mesma constitui seus eleitos.

Do seu colo, surgiram os governadores Antonio Britto e Yeda Crusius, ambos ex-funcionários do grupo – ele, chefe de telejornalismo na RBS TV, ela comentarista de economia – e ambos de amarga lembrança. Nas prévias do PMDB em 1994 que apontaria seu candidato a governador, os dois concorrentes – Britto e Mendes Ribeiro — eram funcionários da RBS. Dali saiu também o campeão de votos, ex-presidente do legislativo estadual e ex-senador Sérgio Zambiasi, do PTB. Em 2006, fez o deputado estadual mais votado, Paulo Borges, do DEM, cuja notoriedade advinha da condição de “Homem do Tempo” na RBS/TV. Agora, preparando-se para 2014, o grupo quer emplacar governadora Ana Amélia Lemos, senadora do PP e ex-chefe da sucursal da RBS em Brasília. Lasier também faz parte dessa equação.

A política da RBS

O mecanismo utilizado na construção dessa hegemonia é tão simples quanto execrável. Primeiro, os meios de comunicação desconstroem a esfera da política, seja ela operada nas instituições, seja a exercida nas ruas. O objetivo é consolidar um senso comum de que todos os atores da política, sejam partidos, sejam movimentos sociais, são corruptos e/ou ilegítimos. Ao mesmo tempo em que desconstroem a arena da política, colocam-se como entidades que pairam acima dos interesses vis da luta política. Envoltas no manto da neutralidade apenas perseguem o ”bem comum”, denunciando as “mazelas da política”.

Depois de minar o campo e fustigar todos seus adversários, vem a parte mais fácil, apresentar-se como a solução: “Já que todos os políticos não prestam, eis aqui os nossos candidatos. Vocês os conhecem bem, vem eles todos os dias em nossos meios, enunciando a verdade e combatendo a imoralidade. E o mais importante: eles não são políticos”. Foi o que fez Lasier na última semana: colocou-se como guardião da ética e vociferou contra as más práticas, comprometendo-se a atuar “contra essas mazelas que têm levado a descrença aos políticos e da política”.

Trata-se de uma força que exalta ou oculta fatos, direciona opiniões para atingir seus objetivos. Não é difícil: a RBS é a terceira maior organização de mídia privada do Brasil, segundo o projeto Os Donos da Mídia. De acordo com informações contidas no site da própria empresa, são 24 emissoras de rádio, oito jornais diários e dois canais de televisão com 20 emissoras. O grupo possui também negócios na área de TV por assinatura, internet, mercado editorial e indústria fonográfica. Uma única voz que orienta como pensar, sobre o que falar. E também, como se deve votar. Isto é poder.

Essa relação promíscua ficou evidente no dia em que Lasier anunciou sua candidatura. Não bastasse utilizar uma concessão pública, o canal de TV, como palanque eleitoral, a notícia foi imediatamente reproduzida em outros veículos do Grupo RBS, aumentando exponencialmente seu alcance.

Embora a mídia hegemônica veja a política quase como uma excrecência, ela mesma não se edifica sem política. Primeiro a dos generais, depois a da jovem democracia brasileira, penosamente construída. Em dezembro de 2002 – último mês do governo FHC- foram assinadas 96 concessões de retransmissoras espalhadas por todo país. A RBS recebeu 21 novas concessões. Em seu Horário Eleitoral Exclusivo, na última semana, Lasier espinafrou “as mazelas da política”. Talvez ignore que, uma vez eleito, “as mazelas” serão parte essencial do seu trabalho.

Laura Wottrich e Lúcio Centeno são do Levante Popular da Juventude
http://www.sul21.com.br/jornal/opiniaopublica/as-mazelas-do-lasier-por-laura-wottrich-e-lucio-centeno/

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

MINHAS ANDANÇAS, Por Noel Guarany

"Lembro-me quando em 1956, nós caminhávamos muito a pé, para irmos aos bailes que aconteciam normalmente em casas de famílias e de quando em vez, improvisava-se em ramadas com chão batido de cupim, o qual umedecia-se bem para não levantar muita poeira, dançava-se até o clariar do dia e divertíamo-nos muito. Não havia caixas de som, aparelhagens. O instrumento era um acordeon e um violão, muito raramente um bandoneon. Nesse tempo ainda não haviam CTGS. 

Em 1958, eu já havia começado a tocar violão. Eu já havia descoberto o crime que o acordeon fez ao violão ou guitarra, como se diz na Argentina ou Uruguai, pois, como diz a quadrinha popular: A gaita matou a viola; O fósforo matou o isqueiro; A bombacha; o chiripá; A moda o uso campeiro.

Nessa época eu andava peregrinando, nos bailes e festas junto com o Reduzino Malaquias. Havia em São Nicolau, um tradicionalista muito autentico, o qual muito me aconselhou e gostava muito da nossa música, era o Capitão João Silva. Resolvemos fundar o CTG "Primeira Querência do Rio Grande", com a finalidade de educar aquele povo, muito animalizado na época, era raro o dia que não matavam alguém. Em 1964, surgiu o MTG e o nosso CTG foi virando apenas mais uma bailanta e perdeu totalmente o sentido de um Centro de Tradições.

Eu empunhava meu violão e saia a percorrer estância por estância. Nessa época não havia televisão, apenas alguns rádios e tal era a alegria do povo, com a minha chegada, que logo carneavam uma vaca e largavam um "próprio" (mensageiro) à vizinhança, avisar que eu havia chegado e que viessem conhecer o violonista e já estava formado o baile. Aí eu amanhecia tocando para o povo dançar. Eu ficava dois ou três dias em cada estância. De quando em quando eu ia para os "comércios de carreiras", tocar violão e comer churrascos. Estes eram muito animados. A cerveja que tomávamos nestes locais eram quentes. Fazia-se um buraco no chão, mais ou menos grandes, dentro das carpas e punha-se água. Molhava-se um bolsa de estopa e punha-se acima das garrafas. Ai ficávamos de três a cinco dias, correndo carreiras de dia e formando-se bailes à noite, junto a prostitutas. Às vezes de cola atada. Tudo ao som do meu violão. Não estava ainda definida a música missioneira.

Em 1960, fui servir a Pátria, no 3º Regimento de Cavalaria de São Luiz Gonzaga, muito orgulhoso, pois já me considerava um homem. Ingressei no curso de cabo de comunicações, já que comunicação para mim, é uma vocação. Mas logo vi que os ministradores do curso, sem distinção de oficiais graduados a sargentos davam mais valor a um analfabeto puxa-saco do que a um homem positivo e de fibra. Me desiludi, com isso, então fui negligenciando até sair expulso do curso. Voltei novamente ao violão, consequentemente a uma boêmia forçada e natural. Não cuidei mais da vida na caserna.

Foi descoberto, nesse tempo, um grande roubo na unidade, liderado por majores e capitães até aos soldados rasos. Foi outra desilusão que tive. Não podia acreditar que militares graduados também roubassem. Aprendi mais tarde que o roubo e a corrupção foram os maiores amigos das ditaduras militares. Em seis meses de caserna, acossado por castigos e prisões, presenciar o banditismo efetuado por um tenente psicopata e sanguinário, que prendeu um soldado de apelido Cêbo, porque o mesmo havia roubado um revolver 45, e seus companheiros de farra haviam lhe roubado o mesmo revolver.

O soldado Cêbo tomava essa arma emprestada ao almoxarifado quase todos os dias, devolvendo-a no dia seguinte. Nem o Comandante do Esquadrão, nem o Oficial de Dia, descobriam sua arte. Mas a raposa tanto vai ao ninho que um dia deixa o focinho, como não pode fazer a devolução, foi descoberto o roubo.

Aberta a sindicância chefiada pelo tenente Moreira Pinto, este prendeu o soldado. O tenente levou-lhe a um solitário e retirado local chamado picadeiro, onde fazia-se equitação em dias de chuva, e aí fazia todo e qualquer tipo de safadezas e atrocidades, num homem atado e sem defesa, para que confessasse a quem havia vendido a arma. Como lhe haviam roubado, não poderia saber. Foi levado então ao Quartel General, com sede em Santa Maria, para ser ouvido.

No caminho, assustaram-lhe tanto como condenação à morte, prisão perpétua, que o apavoraram a tal ponto que na viagem feita de Maria fumaça, ao ultrapassar uma ponte, o soldado suicidou-se. Vendo que uma guarda de ferro passava a poucos centímetros do trem, ele tirou a cabeça, dando fim a sua vida e deixando impunes seus responsáveis. Vendo isto, desertei e fui para a Argentina. Neste país comecei como tarefeiro nos ervais de Concepcion de La Sierra, junto a um tio meu que morava nos ervais de Santa Maria, espécie de Distrito dessa cidade.

Posteriormente, como existiam várias propostas para desmatamento em San Xavier, Missiones, para o plantio de cana de açúcar, pois queriam fundar uma usina de açúcar e alcool em San Xavier, fui para lá, cortar lenha em metro, pois a cooperativa iria consumir muita lenha. Acabei colaborando assim para destruir a ecologia daquela rica região em matas, caças, até onça parda existia e eu, totalmente ignorante, colaborei para a largada do mioto no nosso rio Uruguai. Consequentemente, o desequilíbrio ecológico em ambas as margens do seu leito que tinha águas azuis e cristalinas.

Não aguentei o serviço e vim para o Brasil, levar gente para cortar cana, gente essa composta de todo tipo de marginais, que não tinham para onde ir e para lá se aventuravam. Brigas e entreveros de cachaça, taios de palmo e meio, pois andavam todos armados de facão, eram quase que diárias. Todas as segundas feiras, estava eu nas comissárias para afiançar e tirar maus elementos que trabalhavam comigo. Como eu tinha livre transito entre os comissários, pois tocava violão para eles, participava de festinhas, não tive problemas para tal.

Mais tarde, abandonei esse serviço e fui trabalhar numa lancha com o sr. Getulio Cândia. Onde aprendi a conduzir lanchas e acabei me radicando, e fazendo parte da Marinha Argentina. Aí trabalhei muito tempo, passava contrabandos dos quileiros ao Porto Pindaí, e porto Xavier, no Brasil. Algumas vezes, nós puchavamos algumas balsas de madeira para a mesma andar mais depressa, quando o rio começava a baixar. A balsa levava madeira para os grandes exportadores de matéria prima que havia em Federacion (Hoje Federacion está debaixo dágua), nem as balsas existem mais.

Em 64 elas foram proibidas. Tive nessa época, oportunidade de conhecer grandes intelectuais, onde tive grandes amigos e conselheiros como o Dr. Lizardo Morales, que me diziam: "Se existe a música de Corrientes, a música de Entre-Rios, e de tantas outras regiões, porque as Missões, no Rio Grande do Sul, não têm esse tipo de música ?" Então, numa ida ao Paraguai, fiquei sabendo da importância da música de uma região, de um estado, de um país.

Um dia, no Mato Grosso, fui a São Luiz de Cáceres e dali, tocando violão sempre, fui convidado para passar para a Bolivia. Fui até Santa Cruz de La Sierra, chegando num restaurante comecei a tocar, para poder comer e tomar uns tragos. Começaram a chegar musiologos locais, com seus instrumentos e anunciarem "canções de sua terra".

Nesse interim, chegou a polícia boliviana, revistou-nos e ficou por ali, aparentemente escutando música; notei que me olhavam muito. Eu falava com um e outro e tinha um excelente e correto castelhano. Até que me pediram a identidade, mostrei-a, mas não adiantou pois eles estavam acostumados com identidade do Mato Grosso, que era diferente.

Então me levaram preso a corregedoria. O corregedor não se encontrava, pois era pouco após o meio dia. Fiquei detido por duas horas ou mais, esperando o chefe para explicar-lhe que eu era do Rio Grande do Sul, que eu não era Paraguaio. Que eu estava apenas conhecendo a cidade. Naturalmente o chefe iria entender minha explicação, pois os soldados militares me pareciam demasiado hostis. Com a chegada do chefe, expliquei-me e fui liberado.

Voltei ao Brasil imbuído de descobrir onde estava a música missioneira. Como era grande a dificuldade financeira, depois de muito peregrinar, cheguei a Buenos Aires. Hospedei-me em um pequeno hotel e na parte da manhã, eu procurava entrar em contato com musiologos, folclorologos e comunicadores, à tarde eu pegava o violão e ia para os bairros, fins de linha. Como eu estava com o violão, não faltava um portenho a perguntar-me o que eu fazia com a guitarra. Respondia-lhe que tocava, que era de Corrientes, mas que sabia tocar tango, respondia sempre em castelhano. Começava a tocar e dentro em pouco já estavam passando o chapéu e tiravam dinheiro para minha despesa diária.

Assim, consegui contato com grandes violonistas da época, aprendendo novas técnicas e tomando novos rumos ao violão.

Voltando a Porto Alegre, comecei a introduzir a música missioneira em todos os meios possíveis, que tinha oportunidade. Parecia-me um castigo quando nos rancherios mais humildes fosse do país que fosse, com olhar sincero de patriotismo, um campesino, mesmo abandonado, pelos governos e instituições, dizia ao empunhar qualquer instrumento: "Vou cantar uma canção de minha terra".

Eu considerava uma verdadeira afronta, isto porque, no Brasil, não existia canto missioneiro, aos poucos fui me conscientizando do enorme pecado que estava cometendo pois estava me tornando um grande instrumentista e um aplaudido cantor campesino só daquilo que o rádio da época tocava e ensinava a tantos outros tocadores e cantadores como eu vez ou outra tentava ler alguma coisa e mais o enigma de minhas origens despertando minha curiosidade de saber quem sou eu, o que estou fazendo aqui? De onde venho? E pra onde vou?

Nessa época o sucesso nas gravações eram do catarina Pedro Raimundo, os irmãos Bertussi estavam começando, no rádio era "Coração de Luto" , "Chote Soledade", "Gaúcho de Passo Fundo", do Teixeirinha e "Pára Pedro" de José Mendes.

Além disso o rádio vivia a martelar alienações desleais ao povo sul-americano e grandes cantores entraram no mercado violentamente, que os próprios "Sebastião da Silva", começaram a usar pseudônimos norte-americanos como Dick Farney e outros, procurando dessa maneira vender discos como os Frank Sinatras e outros grandes nomes e ídolos estrangeiros.

Além dessa invasão cultural liderada pelas gravadoras multinacionais, outro atrito existia no Rio Grande do Sul, devido as diferentes regiões como por exemplo a teuto-riograndense, com suas polcas e bandinhas, a ítalo-riograndense, com a linha melódica estilizada dos pioneiros do acordeon, na década de 30, década de ouro do rádio sul-americano, onde podemos citar o precursor deste instrumento que foi o "Cabo-laranjeira", o qual nunca se soube o nome (sabe-se que desapareceu com a coluna Prestes após a epopéia da grande Marcha) mas ficaram como exemplo o seu pioneirismo: Tio Bilia, Reduzino Malaquias, Dedé Cunha, Aparício Saraiva e tantos outros.

Foi então que começou a surgir com muita força, nas Missões, a música dos irmãos Bertussi, com dois acordeons, totalmente inautêntica, mas muito apreciada para bailes nos CTGs que estavam proliferando desmedidamente, não havia músico nas missões, que não tocasse músicas dos Bertussi. Começaram também a aparecer duplas como os irmãos Teixeira, Primos Peixoto, Gauchinhas Missioneiras, e uns sem fim de imitadores dos irmãos Bertussi. Música totalmente alienígena para a região das missões, pois os Bertussi, italo-riograndenses, já copiavam de Pedro Raimundo, catarinense de Laguna, sem responsabilidade lírica nenhuma com nosso estado.

Quando comecei a sentir cheiro da podridão da arte no Rio Grande do Sul e ver cantores alienados, suburbanos, vestindo largas e espalhafatosas indumentárias de souvenirs para iludir turistas trouxas; a ver falsos tradicionalistas a berrar alto em potentes emissoras, avalizados por patrões de CTGs a promover bailes e churrasqueadas principalmente no dia em que tinham que baixar a cabeça e peregrinar em silêncio numa homenagem póstuma a heróis anônimos que derramaram seu sangue para sustentar aqueles gananciosos de poderes e de sesmarias da Revolução Farroupilha; inclusive cantores de outros estados a confundir a sensibilidade de gaúchos autênticos, tradicionalistas ansiosos por uma personalidade justa no campo cultural do país e a mal ensinar aqueles que se acostumaram com a vida simples do homem do campo riograndense tal como italianos, alemães que vieram colonizar a solidão de nossas serras, trazendo consigo seu extrovertimento, com bailes animados de querbs, farras e risos colaborando muito com a nossa produção e aqui se adaptou ao mate e ao churrasco, exceto à nostalgia do povo sul americano.

Chegou-se ao ponto de no Rio Grande do Sul não mais se cantar, bastava uma gaiteiro para armar-se barulhos e peleias com algum gaúcho de pele indiática, mau olhado pelos moços loiros que o enxotavam.

Além destas barbaridades, alia-se o domínio dos incautos radialistas de todo o país que lhes dita as emissoras do eixo Rio-São Paulo, devido a omissão de nossas autoridades sobre o assunto. Por exemplo, no Rio de Janeiro, cidade absolutamente afro-brasileira, a música é o samba. Música essa mais regionalista de todo o país, mas como têm ritmo, a indústria fonografica maldosamente a chama de música popular brasileira.

Notando eu, estas distorções culturais, comecei a condenar a ausência do que era nosso. Nosso patrimônio cultural, nas missões, onde estava? Quem o defenderia? Nossa região tão rica em legendas e fatos históricos decisivos no contexto de entrelaçamento latino americano e um sem fim de riquezas a clamar por uma manifestação lírica de defesa ao consumo da intelectualidade do povo. Cantava eu, então, tangos, boleros, canções centro americanas, serestas, guarânias...

Foi então que resolvi refazer a música missioneira. Para isto, saí para os grandes centros, procurando infiltrar a música das missões e sensibilizar os intelectuais da época.

Foi uma luta árdua para divulgar música de pesquisa. Com o modismo dos festivais, onde o povo acatava os ritmos impuros e desgastados de música alienígena ao Rio Grande, era muito difícil ingressar no mundo fotográfico em São Paulo. Com muita abnegação consegui, para mim e para muitos. Eu não gravo discos para receber falsos laureais de multinacionais, eu gravo para mostrar a seriedade que nós os missioneiros devotamos a um instrumento de nossa Região. Encontrei muitas dificuldades, mas consegui que a música missioneira fosse escutada.

Tive muitos amigos que ajudaram a divulgar minha música como Barbosa Lessa, Jorge Karan, Glênio Fagundes. Peregrinei muito em busca de conhecimentos antigos, que eram novos. Tive grandes companheiros de viagens, que abraçavam junto comigo a defesa do patrimônio cultural regional, como Cenair Maicá, Jaime Caetano Braum. Colaborou muito comigo a casa do poeta riograndense na pessoa do abnegado Nelson da Lenita Faquinelle, ao saudoso poeta Ciro Gavião, ao Prof. Moacir Santana e ao Grêmio Literário Gaúcho.

Tivemos muitas passagens difíceis, no exterior, e mesmo no Brasil posso recordar quando estávamos no parque Anhembi, em São Paulo, quando um segurança da exposição queria abrir a mala de Cenair Maicá para certificar-se se não havia roubo na mesma. Ora, nos ofendemos eu disse que missioneiro não era ladrão e que ele se retirasse dali e deu uma confusão muito grande, com polícia, repórteres etc....

Lembro de uma passagem muito triste que tive com o amigo Marcus Faemann, no Palácio das Convenções no Parque Anhembi quando os amigos da convergência socialista queriam salvar do caos o jornal Versus, naturalmente, que os inimigos número um do militarismo existente na época, abraçaram a causa e todos se dispuseram a fazer um Show para o referido jornal, aqueles que sabiam da sujeira muito grande da Mídia Global, aqueles que sabiam da sujeira do arbítrio e do autoritarismo, posso até nomear a todos que também lutaram pelas liberdades democráticas em nosso país, mesmo arriscando sua própria liberdade, são eles: Tarancon, Quarteto em Cy, Dércio Marques, MPB 4, Renato Borgui, Ester Góis, Marilia Medalha, Edu Lobo, Alaíde Costa, Chico Buarque, Bibi Ferreira, Guarnieri, companheiro Fernando Peixoto, Hélio Goldsztein, tudo liderado por Marcus Faermann. Eu chegava a ser chamado por cantor maldito.

Quando, ao consultar velhos payadores e guitarreiros, como também gente intelectualizada e a receber seus incentivos, soube, sem sombra de dúvidas que a minha bandeira seria uma só: "Cantar a minha terra".

http://www.probst.pro.br/

Internet levará à distopia ou a uma cultura mais forte

• Por Nelson de Sá em 15 de setembro de 2013

O fundador do site WikiLeaks fala sobre seu livro, no qual propõe a resistência ao avanço descontrolado da vigilância transnacional.

Entre a prisão domiciliar e o asilo na embaixada do Equador, Julian Assange, 42, está confinado há dois anos e nove meses no Reino Unido.

Mas o fundador e editor-chefe do WikiLeaks (site conhecido por publicar documentos sigilosos) não se lamenta, em entrevista por telefone à Folha. Lista o que tem de importante para fazer, como editar novo vazamento e manter o apoio a Edward Snowden, ex-analista da CIA que revelou a espionagem em curso do governo dos EUA.

Participa nesta quarta, por vídeo, de um debate sobre vigilância digital no Centro Cultural São Paulo. Deve falar de Além de Snowden, dele próprio e dos colegas Glenn Greenwald e Laura Poitras, acrescenta um nome à lista dos exilados da “distopia”: Sarah Harrison, jornalista do WikiLeaks que não pode mais voltar ao Reino Unido.

Ele critica Dilma Rousseff por negar o asilo que o WikiLeaks pediu para Snowden. “Sob Lula, o Ministério das Relações Exteriores era bastante independente. Não ter [concedido asilo] sugere que a posição da presidente é fraca.” A seguir, leia alguns trechos da entrevista.

Folha – O livro soa premonitório quando foca o acesso do governo dos EUA às comunicações latino-americanas, através de fibra ótica. Snowden, depois, comprovou o acesso no Brasil.
Julian Assange – Estudo a Agência Nacional de Segurança [dos EUA] há 20 anos. A imagem foi composta de vazamentos, telegramas, inquéritos do Congresso, testemunhos de ex-funcionários. Uma imagem complexa, que precisava ler milhares de coisas. O importante das revelações de Snowden é que alguns documentos tornaram isso claro para as pessoas.

Quando começou sua relação com Snowden? Foi através de Laura Poitras? Ou antes?
Não podemos falar desses contatos, por razões legais. Mas é interessante falar por que não podemos falar. É porque os EUA se engajaram na expansão de seu regime legal para outros países. Estão envolvidos em 67 territórios diferentes, alegando crimes.

Quando é que um governo controla outro país? Quando ele controla o uso da força de coerção. No caso do WikiLeaks, o governo aplica a Lei de Espionagem de 1917 contra jornalistas fora dos EUA.

Chelsea Manning, militar americana acusada de vazar dados sigilosos para o WikiLeaks, acaba de ser absolvida de “ajudar o inimigo”, um veredito que o sr. saudou como “vitória tática”. Isso também tira parte da ameaça que estava sobre o WikiLeaks?
É uma situação muito séria. Manning foi condenada por cinco acusações de espionagem. A única alegação é de que passou informação para uma organização de mídia, mas mesmo assim foi condenada por espionagem. O governo Obama processou mais casos envolvendo “whistle-blowers” [vazadores] do que todos os anteriores juntos, voltando até o século 19.

Qual é a situação, agora?
A maior investigação jamais feita de um publisher, o WikiLeaks, prossegue nos EUA. Recebi asilo do Equador. Snowden recebeu asilo, com nossa assistência, na Rússia. Laura Poitras, a documentarista de Nova York associada com Snowden e conosco, está em autoexílio na Alemanha. Greenwald, do “Guardian”, está em auto-exílio no Brasil e não pode ir com segurança para os EUA.

E uma de nossas jornalistas, Sarah Harrison, que viajou com Snowden a Moscou e auxiliou o processo formal de asilo, agora está em auto-exílio, porque nossos advogados instruíram que seria perigoso voltar ao Reino Unido. É resultado da detenção de David Miranda [namorado brasileiro de Greenwald].

O Ocidente anglo-saxão está em colapso no que concerne ao Estado de Direito. Os institutos do asilo e do exílio estão se tornando importantes novamente. Seria importante ver o Brasil apoiá-los.

Mas o Brasil recusou o pedido de asilo de Snowden.
É muito decepcionante. Mostra a realidade das relações Brasil-EUA, infelizmente. Se você ler os telegramas diplomáticos do WikiLeaks sobre o Brasil, verá que sob Lula o Ministério das Relações Exteriores era bastante independente. É um sinal preocupante sobre a independência brasileira. O Brasil, no que concerne a América Latina, é forte o bastante para fazê-lo [conceder o asilo]. Que não tenha feito sugere que a posição da presidente Dilma é fraca, e ela deveria adotar ações para demonstrar essa força.

Greenwald afirma que o Brasil é o maior alvo dos EUA.
A estatística de um dos programas da NSA mostra que os EUA interceptam mais sobre o Brasil do que sobre qualquer outro país latino-americano, pelo tamanho econômico, número de empresas americanas, contratos de equipamento, petróleo.

Que conselho o sr. daria à presidente Dilma e à Petrobras? Adotarem criptografia, como escreve em “Cypherpunks”?
Sim, eles precisam abraçar criptografia. O problema de comprar equipamento de criptografia para a Petrobras ou a presidente é: você pode confiar no fornecedor? Os EUA são especializados em se infiltrar no chip dos equipamentos criptográficos. O que o país precisa é conseguir o talento brasileiro para suas próprias agências de criptografia, para que desenvolvam tecnologia que seja confiável.

Greenwald ouviu o mesmo questionamento que o sr., de que não seria jornalista.
Nós previmos isso, assim que saiu a primeira publicação de Glenn, “em 12 horas, espere os ataques, eles vão tentar de tudo”. E foi o que fizeram, vasculhando sua personalidade, negócios passados. Os ataques são previsíveis e enfadonhos. Mais revoltante é ver jornalistas americanos tomando parte.

O sr. está em reclusão há quase três anos. Vê alguma brecha nos governos britânico e sueco para que isso termine?
A minha prioridade é que o governo dos EUA abriu investigação contra o WikiLeaks. Na semana passada, entramos com ações na Alemanha e na Suíça. Lenta, mas seguramente, nós estamos saindo da defesa para o ataque.

Como é o seu cotidiano na embaixada? Pode tomar sol? Enfrentou depressão?
Eu refleti sobre essa situação algumas vezes. Mas nós temos publicações históricas chegando, temos uma dezena de processos judiciais, temos nossas responsabilidades em relação a Snowden e protegendo nossas outras pessoas. Isso tudo é tão engajador que, felizmente, não há muito tempo para pensar na minha própria situação.

Tem um filme entrando em cartaz, “O Quinto Poder”. Como é a sensação de estar encarcerado e se tornar personagem de Hollywood?
Houve um anterior, “Australia: Underground”, um bom filme. Também uma peça sobre Manning, grande peça, do País de Gales. Mas os documentários e filmes hollywoodianos têm um viés. Nesse filme a que você se referiu os atores nos apoiam, mas o roteiro, infelizmente, não.

Tem também o documentário de Poitras [para 2013].
O documentário de Laura será importante, sobre o que está acontecendo com o Ocidente à deriva para um estado de vigilância transnacional. Um dos aspectos é que a NSA e outras não são agências sombrias controlando tudo. É uma distopia pós-moderna em formação onde o sigilo é tão compartimentado e o sistema é tão bizantino que indivíduo nenhum entende. Você tem grandes organizações ao lado de milhares de contratadas. E elas formam um atoleiro, capaz de expandir influência. É difícil achar analogia precisa. É menos xadrez e mais horda mongol.

Seu livro cita uma trajetória alternativa mais positiva.
Há uma tendência importante na direção contrária. O que estamos vendo, com o fracasso da intenção de erguer um ataque à Síria, com as revelações, é o desenvolvimento de um novo corpo político internacional, de um novo consenso, de um novo “demos” [povo como unidade política].

Se a internet, por um lado, ampliou imensamente o poder dos Estados Unidos como Estado, por outro também produziu uma nova sociedade. É um tempo muito interessante, porque ou vamos derivar para essa distopia ou para esta nova cultura internacional fortalecida, que vai fornecer uma força prática e política de equilíbrio.
http://laurocampos.org.br/2013/09/entrevista-com-assange-internet-levara-a-distopia-ou-a-uma-cultura-mais-forte/

Mensalão AP 470, STF, Julgamento Medieval

Publicado em 23/09/2013

Vídeo mostra a cobertura do chamado caso Mensalão, AP 470, investigado pelos repórteres Raimundo Rodrigues Pereira e Lia Imanishi, da Revista Retrato do Brasil (publicação da editora Manifesto S.A) ao longo dos últimos dois anos.



O ataque moralista da direita

Durante o governo Dilma, a direita recuperou a voz, mas vazia, de condenação de todos os políticos.

Nestes últimos meses vimos a direita recuperar o dom da palavra. Em 2002 ela se apavorara com a perspectiva da eleição de um presidente socialista. O medo foi tanto e contaminou de tal forma os mercados financeiros internacionais que levou o governo FHC a uma segunda crise de balanço de pagamentos.

O novo presidente, entretanto, logo afastou os medos dos ricos que então perceberam que não seriam expropriados. Pelo contrário, viram um governo procurando fazer um pacto político com os empresários industriais e que não hostilizava a coalizão política de grandes e médios rentistas e dos financistas.

Por outro lado, o novo governo de esquerda pareceu haver logrado retomar o crescimento econômico, ao mesmo tempo que adotava uma politica firme de distribuição de renda. Na verdade, beneficiava-se de um grande aumento nos preços das commodities exportadas pelo país, e da possibilidade (que aproveitou de forma equivocada) de apreciar a moeda nacional que se depreciara na crise de 2002.

Lula terminou seu governo com aprovação popular recorde, e com a direita brasileira sem discurso. Deixou, porém, para sua sucessora, a presidente Dilma, uma taxa de câmbio incrivelmente sobreapreciada, que, depois de haver roubado das empresas brasileiras o mercado externo, agora (desde 2011) negava-lhes acesso ao próprio mercado interno.

Sem surpresa, os resultados econômicos dos dois primeiros anos de governo foram decepcionantes. E, no seu segundo ano, foram combinados com o julgamento do mensalão pelo STF, transformado em grande evento político e midiático.

Com isto o governo se enfraqueceu, e a direita brasileira recuperou a voz. Mas uma voz vazia, liberal e moralista. Liberal porque pretende que a solução dos problemas é liberalizar os mercados ainda mais, não obstante os maus resultados que geraram. Moralista porque adotou um discurso de condenação moral de todos os políticos, tratando-os de forma desrespeitosa, ao mesmo tempo que continuava a apoiar em voz baixa os partidos de direita.

Quando, devido às manifestações de junho, os índices de aprovação da presidente caíram, a direita comemorou. Não percebeu que caíam também os índices de aprovação de todos os governadores. Nem se deu conta de que a presidente logo recuperaria parte do apoio perdido.

Quando o STF afinal garantiu a doze dos condenados do mensalão um novo julgamento de alguns pontos, essa direita novamente se indignou. Agora era a justiça que também era corrupta.

Quando o deputado José Genoino (condenado nesse processo porque era presidente do PT quando as irregularidades aconteceram) manifestou o quanto vinha sofrendo com tudo isso --ele que, de fato, sempre dedicou a sua vida ao país, e hoje é um homem pobre--, essa direita limitou-se a gritar que o Brasil era o reino da impunidade, em vez de perceber que o castigo que Genoino já teve foi provavelmente maior do que sua culpa.

Os países democráticos precisam de uma direita conservadora e de uma esquerda progressista. Mas cada uma deve ter um discurso que faça sentido, em vez do mero moralismo que a direita vem exibindo.

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/116965/Bresser-ex-tucano-grita-contra-o-vazio-da-direita.htm