Redação SRZD | Nacional | 06/02/2012 10h58
A Comissão da Verdade, em fase de composição, deveria ouvir Silvaldo Leung Vieira, que fotografou o jornalista Vladimir Herzog morto no Doi-Codi, São Paulo, na época da ditadura militar (1975). É o que acham autoridades do governo federal, segundo publicou a "Folha de S. Paulo" neste domingo.
A reportagem mostrou o depoimento de Silvaldo, que alega ter sido "usado" pelo regime ao armar a cena de suicídio do jornalista, que teria sofrido sessões de tortura antes de morrer. Segmentos da sociedade, como historiadores, parentes e testemunhas criticam a versão oficial, confirmando as declarações do fotógrafo.
Segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, é "absolutamente natural que fatos como esse sejam investigados pela comissão". O coordenador do projeto do governo Direito à Memória e à Verdade, Gilney Viana, os torturadores de Vladimir Herzog podem ser identificados a partir do relato de Silvaldo à Comissão da Verdade, quebrando toda a versão sustentada há anos pela ditadura. Viana lembra as mortes de Roberto Cietto, em 1969, e de Milton Soares de Castro, 1967, que também teriam se suicidado.
De acordo com a "Folha", o fotógrafo solicitou, entre outros benefícios, uma indenização de R$ 908 mil à Comissão de Anistia em 2008. Ele disse que sofreu perseguições por questionar o regime e foi convocado a fazer trabalhos como o do caso Herzog. Em 1979, porém, ele se autoexilou nos Estados Unidos.
O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, afirma que o pedido de Silvaldo não tem previsão de análise nem é prioritário, porque, a princípio, ele é considerado um colaborador da repressão.
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