“O Exército Nacional não aceitará, tolerará, nem acobertará homicidas ou delinquentes em suas fileiras”. A frase, acreditem, é do comandante do Exército uruguaio. Ao final do ano passado, Pedro Aguerre descartou o “pacto de silêncio” em torno dos crimes da última ditadura de seu país, entre 1973 e 1985.
Aguerre foi adiante. O chefe máximo do Exército uruguaio pediu apoio para “delimitar a responsabilidade material” da instituição nos assassinatos cometidos no período. De acordo com o militar, o exército do seu país atua seguindo as regras das Convenções de Genebra e Haia.
O posicionamento formal de Aguerre nessa questão merece destaque, e destoa de muitos de seus companheiros de armas. Já é hora de o continente sul-americano varrer de seu mapa a complacência, quando não a conivência, do acobertamento de crimes cometidos durantes as ditaduras das últimas décadas.
Ponto para o governo Dilma
No Brasil, após tantos anos de luta política, ponto para o governo Dilma que deu um importante passo nesse sentido ao instituir a Comissão da Verdade ao final do ano passado.
A ministra da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, explicou que o papel da Comissão é o de investigar e de trazer a verdade sobre os sombrios fatos que marcaram a nossa história no regime militar brasileiro (1964-1985). Terá dois anos para investigar as violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.
Crimes de tortura não são admissíveis e não podem ser esquecidos. E, a esse propósito, há um link com uma lista feita em 1975 por presos políticos e enviada a Luiz Carlos Prestes, lendário líder brasileiro de esquerda, com 233 nomes de torturadores. O documento está reproduzido no site Revistadehistoria.com.br, em um relatório do Comitê de Solidariedade aos Revolucionários do Brasil.
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