ANO 117 Nº 230 - PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2012
O senador Paulo Paim (PT-RS) foi à Tribuna do Senado ontem para denunciar a tentativa de assassinato do ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), ligado à ditadura militar, Cláudio Guerra. O senador também fez um apelo ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para que garanta a segurança do ex-delegado. Guerra revelou no livro "Memória de Uma Guerra Suja", lançado este mês, a sua participação e de colegas do Dops no assassinato de opositores ao regime na década de 1970.
Segundo informações passadas ao senador pelos autores do livro, Marcelo Netto e Rogério Medeiros, três homens rondavam a casa de repouso, no interior do estado do Espírito Santo, onde Guerra vive escondido, sob responsabilidade da Vara de Execuções Criminais de Vila Velha (ES) e agora sob proteção da Polícia Federal.
A tentativa teria acontecido por volta das 4h30min, na madrugada desta quarta-feita, quando o ex-delegado ouviu uma discussão e viu um homem dialogando com o vigia da casa de repouso, acompanhado por mais dois suspeitos. "Eu vou pocar" (gíria para atirar) disse um dos três homens que cercavam o alojamento. Achando se tratar de uma emboscada, Guerra permaneceu no quarto e acionou a Polícia Militar, que chegou 30 minutos depois e não encontrou ninguém. Ficaram apenas as marcas dos sapatos cheios de barro no peitoral da varanda, onde os peritos buscam digitais.
"Considero da maior gravidade a tentativa de assassinato, porque ele é um arquivo vivo dos crimes que ele mesmo cometeu. Li no livro que a responsabilidade dele, na ditadura, era matar, inclusive, enquanto outros torturavam", afirmou Paim. O senador confirmou que o ministro entrou em contato e garantiu maior segurança ao que o senador classifica como "arquivo ambulante".
O depoimento dos autores do livro que estava marcado para hoje na audiência da Comissão de Direitos Humanos do Senado deve ser remarcado. "O Marcelo já havia se queixando de falta de segurança. Agora será reforçada. Este livro é uma mina de pólvora, cita nomes de pessoas que estão aí, em atividade. Isto é queima de arquivo, como aconteceu com o ex-delegado Sérgio Fleury e está relatado no livro", revelou Paulo Paim.
A tentativa aconteceu 7 horas antes da instalação da Comissão Nacional da Verdade, em Brasília, onde Guerra é um dos depoentes já convocados.
http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=117&Numero=230&Caderno=0&Noticia=423357
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