Para identificar se um comportamento é típico ou
extrapola o adequado, é importante ficar de olho em como os pequenos brincam
05/06/2013 | 08h03
Dennis,
o Pimentinha e o Menino Maluquinho são personagens que encantaram adultos e
crianças durante os anos de 1980 e de 1990 principalmente pelas peraltices.
Guardadas as devidas proporções, os discípulos desse garotinhos existem e
costumam deixar os pais e mães sem saber o que fazer.
Especialistas
alertam que é comum as travessuras dos filhos surpreenderem os adultos, mas
eles precisam ficar atentos a sinais que indiquem a existência de um transtorno
comportamental. A psicanalista infantil e professora da Universidade de
Brasília (UnB) Maria Izabel Tafuri explica que as brincadeiras são
imprescindíveis, pois "ajudam a criança a desenvolver a capacidade de
atenção e a estimular a imaginação". Para identificar se um comportamento
é típico ou extrapola o adequado, é importante ficar de olho em como os
pequenos brincam:
—
Eles precisam se divertir sozinhos e com outras crianças e devem ser assistidos
durante esse período para que se perceba se existe um comportamento
problemático.
Psicóloga
e analista do comportamento, Maria Martha Hübner ressalta que algumas atitudes
dos pais podem estimular o mau comportamento dos filhos. O que acontece é que
muitas vezes os adultos dão mais ênfase aos erros da criança e deixam de
valorizar o que ela faz de bom. Em outros casos, dão mais atenção para um filho
do que para outro, o que pode gerar a necessidade de chamar a atenção pelas
travessuras.
—
Quando a criança faz algo errado, é melhor falar para ela parar e ter uma
conversa rápida, explicando por que o comportamento não deve ser repetido. Dar
muitos sermões e aplicar punições pode não ser eficiente — aconselha.
Segundo
a psicóloga, é preciso avaliar o cenário em que o erro ou o excesso é cometido
pela criança. A separação dos pais também costuma ser um período de
comportamentos exagerados. Raros, os transtornos de conduta costumam ser resultado
de excessos praticados inicialmente pelos pais, segundo Maria Martha. Uma
criança com transtorno desafiador opositor (TDO) — quando é excessivamente
respondona e reage negativamente aos estímulos — poder ter desenvolvido o
problema em razão do exagero de ordens dadas pelos pais.
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Existem estudos que mostram que alguns pais e mães chegam a dar mais de mil
ordens por dia aos filhos — diz a psicóloga.
Na
opinião de Maria Martha, a escola exerce um papel importante no desenvolvimento
infantil, porém, precisa melhorar no que diz respeito à aplicação de políticas
mais inclusivas.
—
Quando a criança não se comporta como deveria, a maioria das escolas ainda entende
que ela tem um problema e pronto, sendo que seria melhor acolher o aluno —
critica.
Para
ela, é mais efetivo conversar e estabelecer uma interação mais próxima com a
família para descobrir o que está causando um comportamento atípico. Esse é o
caso do Instituto Natural de Desenvolvimento Infantil (INDI), que atua dentro
da proposta de inclusão.
—
Trabalhamos com a qualificação das relações humanas e tentamos ajudar a criança
a entender seus sentimentos e saber expressá-los. A escola inclusiva tenta também
respeitar as caraterísticas de cada aluno e ajudá-lo a se desenvolver dentro de
suas condições — explica a diretora, Júlia Chaves.
O que fazer
O
tratamento oferecido pela psicanálise baseia-se na procura pelos estímulos que
causam os comportamentos inadequados. A intenção é analisar os momentos
críticos da vida da criança e descobrir o que estimula o comportamento. De
acordo com a psicóloga Maria Izabel Tafuri, não adianta tentar resolver o
problema por meio da medicação. É importante investir na terapia familiar. Os
remédios, como a Ritalina, têm sido indicados às crianças de forma abusiva,
observa Tafuri.
Fique de olho
Confira
quais são os principais transtornos infantis diagnosticados por especialistas:
Hiperatividade
— O
transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) tem maior incidência
na infância e na adolescência — é presente em cerca de 5% da população em idade
escolar. Os principais sintomas são dificuldade em manter o foco de atenção
e/ou manter-se quieto.
Ansiedade
de separação
—
Ansiedade excessiva envolvendo o afastamento de casa ou dos pais. A criança
acha que vai se perder e tem medo de nunca mais ver os pais.
Falta
de limites
—
É o transtorno desafiador opositor (TDO), que tem padrão persistente de
comportamentos desafiadores e hostis. Os pequenos são bastante respondões e
costumar dizer não a pedidos e estímulos feitos pelos adultos.
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