“O Brasil teve três
experiências singulares à esquerda. Na primeira, quando um presidente, que fora
ditador de direita, tornou-se de centro-esquerda, o lacerdismo denunciou um
esquema de corrupção jamais visto no país e o empurrou para o suicídio. Na
segunda, quando um presidente latifundiário, acenou com uma reforma agrária,
foi derrubado pelos militares com apoio civil do lacerdismo em luta contra a
corrupção. Na terceira, quando a esquerda, com um operário, chegou ao poder,
foi levada ao banco dos réus por ter comprado a direita, que sempre comprou
todo mundo ou se vendeu sem ser condenada. As regras do jogo foram alteradas
pelo STF para consumar as condenações num surto inédito contra a impunidade.
Será a maldição da esquerda? Ou a mão invisível da direita?
Na primeira vez, o presidente
morreu, mas a direita ficou fora do poder. Na segunda, o presidente caiu, uma
ditadura foi implantada e, assim que ruiu, a esquerda voltou a espreitar o
poder até se instalar nele. Nesta terceira vez, as condenações justas e
necessárias não parecem em condições de afetar o longo reinado de Lula e Dilma,
que, para desespero da direita, deverão completar, no mínimo, 16 anos de poder.
A esquerda consegue ser delirante. José Dirceu tentou inventar uma via
capitalista para o seu socialismo: a compra da direita. Triunfo da mercadoria.
A direita é mais esperta: vendeu-se, denunciou o comprador e exigiu a sua
condenação.”
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