Sáb,
17/08/2013 - 18:00
Por Cecília
Figueiredo
A
Internet vem ganhando a preferência da população como veículo para se informar
sobre a cidade, o Brasil e o mundo. Apesar de empatar em 43% com os jornais
impressos, em meio habitual de informação, na soma de portais, blogs e
indicação de amigos nas redes sociais virtuais, a Internet ultrapassa o
impresso. Estes são alguns dos indicadores da pesquisa “Democratização da
mídia”, realizada pelo Núcleo de Estudos e Opinião Pública (Neop) da Fundação
Perseu Abramo (FPA) e apresentada na última sexta-feira, 16, em São Paulo.
De
acordo com o estudo, realizado entre 20 de abril e 6 de maio deste ano, que
ouviu 2.400 pessoas acima dos 16 anos, que vivem em áreas urbanas e rurais de 120
municípios distribuídos nas cinco regiões do Brasil, 82% assistem diariamente a
TV aberta, mas quase a metade, 43%, disse não se reconhecer na programação
difundida pelo veículo e 25% se veem retratados negativamente, contra 32%
positivamente. “A TV tem maior uso da população, mas o rádio tem maior alcance
em cidades mais distantes”, informou o coordenador da pesquisa, Gustavo
Venturi, coordenador do Neop.
71%
são a favor de regras para concessão pública
Venturi
informou que sete em cada dez brasileiros e brasileiras não sabem que as
emissoras de TV aberta são concessões públicas. “Para 60% são empresas de
propriedade privada, como qualquer outro negócio”, acrescentou o sociólogo na
apresentação. “Mesmo assim”, salientou Venturi, “71% da população são favoráveis
a que haja mais regras para se definir a programação veiculada”.
Ao
ser aventada a hipótese de existir mais regras para a programação e publicidade
na TV, a maioria dos entrevistados e entrevistadas, 46%, disse preferir o
controle social de um “órgão ou conselho que represente a sociedade” a
auto-regulamentação, 31%, como ocorre hoje, e 19% declararam ser favoráveis a
um controle governamental.
A
maioria dos entrevistados afirmou também que a TV costuma dar mais espaço para
os empresários que para os trabalhadores, com 61% ante 18%, e 44% consideram
que o noticiário veiculado é quase só de São Paulo e Rio de Janeiro. 39%
acreditam que a TV oferece uma programação para crianças e adolescentes que é
negativa para sua formação, enquanto 27% a consideram positiva. “11% dos
entrevistados discordam que a mídia é imparcial”, destacou o pesquisador.
Enquanto 65% relativizaram a confiança na “parcialidade e neutralidade” das
informações, somente 21,9% acreditam que a mídia exponha os fatos sem privilegiar
um lado.
Quanto
ao tratamento da televisão aos problemas do Brasil, a percepção 56,7% dos
pesquisados e pesquisadas é que é menor do deveria. Sobre a diversidade, 54%
acham que a TV não mostra muito a variedade do povo e 22% observam uma
invisibilidade. Não muito diferente está a percepção dos entrevistados sobre a
realidade nos conteúdos veiculados pela TV: 51% acham que é mostrada apenas em
parte e 23% opinaram que não é mostrada.
A
maioria dos entrevistados e entrevistadas também considera que a TV retrata as
mulheres às vezes, 47%, ou quase sempre, 17%, com desrespeito, assim como
desrespeita os nordestinos às vezes, 44%, ou quase sempre, 19%, e ainda a
população negra, 49% e 17%, respectivamente, sendo que para 52% esta população
é menos retratada do que deveria.
Especificamente
para a publicidade de bebidas alcoólicas, quase a totalidade, 88%, apoia
mudanças na legislação, com proporção igual de entrevistados, 44%, que pedem
seu banimento da TV, ou sua restrição a “horários noturnos e de madrugada”.
Pesquisa
de Opinião Pública: “Democratização da Mídia”, disponível para download:
http://novo.fpabramo.org.br/sites/default/files/fpa_pesquisa_democratizacao_da_midia_0.pdf
http://novo.fpabramo.org.br/content/pesquisa-fpa-democratizacao-da-midia-43-nao-se-reconhecem-em-programacao-de-tv
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