segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Professor Doutor Paulo Afonso Zarth relembrou a história da busca pela universidade pública em Ijuí

Qui, 08 de agosto de 2013

O Portal Ijuhy.com entrevistou nesta quarta-feira, 07, o professor e historiador Paulo Afonso Zarth que relembrou sobre a história da busca da universidade pública em Ijuí.

Ele é professor doutor licenciado pela Unijuí e também foi professor visitante nacional sênior durante dois anos na Universidade Federal Fronteira Sul, através do CAPES.

Segundo o professor, a busca da universidade pública no município iniciou nos anos 80. “Surgiu no interior do Sindicato de Professores de Ijuí, na Associação dos docentes da Unijuí, que existia na época, e no interior da própria reitoria da Unijuí”, disse.

Ele apresentou dois documentos que mostram um pouco da discussão em torno da possibilidade de ter o ensino público no município.
Um dos documentos é de 1989, chamado “Pela estatização da Unijuí”, e foi elaborado por Eliezer Moreira Pacheco, Jaeme Luiz Callai e Teodoro Clebsch.

O outro foi elaborado por uma comissão de estudos organizada pela reitoria da universidade. A comissão era formada por Argemiro Jacob Brum, Otavio A. Maldamer e Luiz A. Herbecher. O documento foi intitulado “Em busca da solidificação do caráter público da Unijuí II”.

“Na época se chegou à uma conclusão de que as universidades comunitárias de modo geral, e aqui de Ijuí, de modo particular, teria grande dificuldade de sobreviver sem o aporte de recursos estatais”, explicou o professor ao falar sobre a possibilidade de estatizar a Unijuí.

Ele ainda destacou que durante a eleição de 1987, os candidatos à direção da universidade apoiaram a transferência da universidade ao poder público.

Mesmo com vários movimentos, não houve resultados. Segundo Zarth, no começo dos anos 90, o país entra em um novo momento, chamado por ele de refluxo.

“Com a eleição do presidente Collor de Mello e depois do Fernando Henrique Cardoso, nós vivemos uma onda do chamado neoliberalismo, que propunha um estado mínimo e tudo indicava a privatização do ensino público”, disse.

Além disso, a região viveu um momento de expansão do ensino superior com a regionalização das universidades, inclusive a Unijuí. Isso também permitiu um período de estabilidade e crescimento.

Outro movimento que ocorreu neste período foi o crescimento de instituições privadas que se expandiram pelo país. Isso também acabou prejudicando as universidades comunitárias, já que as universidades privadas conseguiam oferecer um custo menor.

Com o governo de Olívio Dutra, o debate é novamente estabelecido. O professor explica que neste governo, houve a criação de pequenas unidades da UERGS em vários municípios, e que Ijuí voltou a debater sobre essa possibilidade.

Novamente a proposta não foi efetiva. De acordo com o professor, questões políticas e o custo ao estado fizeram com que a proposta não fosse realizada.

Em 2005, surge um novo movimento. Desta vez é em relação à criação da Universidade Federal Fronteira Sul.

Zarth chama atenção pelo fato deste movimento ser social e agora independente. Ijuí não foi contemplada nesta época, mas recentemente este movimento ressurgiu.

“Esta é uma ruptura do movimento atual com os movimentos antigos”, disse o professor. Segundo ele, agora o movimento busca não uma estatização ou federalização, mas sim, a criação de uma universidade federal independente das instituições já estabelecidas.

Agora, além de um campus da Universidade Federal Fronteira Sul, também há a discussão para trazer um curso de medicina público. Ao mesmo tempo, a Unijuí também trabalha com uma proposta de um curso de medicina.

Para Zarth, o ideal seria que as duas universidades tivessem os cursos, pois ajudariam em mais recursos à disposição a toda a população, como profissionais, além de melhorar a pesquisa. Em relação à pública, o professor chamou à atenção pelo grande investimento que é realizado pela União.

O professor alerta que é necessário um movimento da sociedade para a conquista dos cursos. “Para isso é preciso que a sociedade se organize. Isso é fundamental, quem não se organiza não leva nada”, disse. “É preciso engajamento da comunidade toda para que o curso saia”.
http://www.ijui.com/educacao/51298-prof-dr-paulo-zarth-universidade-publica-em-ijui-e-discutida-desde-os-anos-80.html#sthash.y5GwSxVY.dpuf

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