EDUARDO
GUIMARÃES30 DE NOVEMBRO DE 2012 ÀS 13:23
Ninguém
aceita as justificativas para o recuo do relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG),
de retirar de seu texto os pedidos de indiciamento de Policarpo e Gurgel.
A
entrevista que o vice-presidente da CPI do Cachoeira, deputado Paulo Teixeira
(PT-SP), concedeu ao Blog na quinta-feira, exige reflexão. Aqui ou em qualquer
outra página em que a entrevista foi reproduzida – como no Blog do Nassif ou
no Brasil 247 – os comentários foram, esmagadoramente,
críticos. Aliás, melhor seria dizer que foram comentários furiosos.
As
reações foram da ampla satisfação dos comentaristas de viés tucano à mais ampla
rejeição dos de viés petista. Ninguém aceita as justificativas para o recuo do
relator da Comissão, Odair Cunha (PT-MG), no sentido de retirar de seu texto os
pedidos de indiciamento do jornalista Policarpo Jr. e do procurador-geral da
República, Roberto Gurgel.
Particularmente,
fiquei dividido. Ao mesmo tempo em que, como todos sabem, apoio posições mais
corajosas do PT e do próprio governo Dilma para enfrentar os ataques
tucano-midiáticos, reflito sobre as condições efetivas de êxito que tanto um quanto
outro possam ter tido...
Analisando
o que o deputado Paulo Teixeira disse ao Blog, torna-se óbvio que a base aliada
se esfacelou – ao menos no âmbito da CPI. Ora, a base aliada controla a
presidência, a vice-presidência e a relatoria da Comissão, mas não conseguiu
aprovar nada mais do que a oposição.
Se
a base aliada convocou – ou convidou – um governador como Marconi Perillo –
que, na verdade, é o foco da investigação por seu envolvimento escandaloso com
o bicheiro Carlos Cachoeira –, a oposição conseguiu convocar o governador
petista Agnelo Queiroz, contra quem não pesa nem um grama do que pesa contra
seu homólogo tucano.
E
se a base aliada convocou Paulo Preto, a oposição convocou Luiz Antonio
Pagot...
O
equilíbrio de forças oposicionistas e situacionistas na CPI mostra, portanto,
que grande parte da base aliada ao governo Dilma atua ora como governista, ora
como oposicionista. Não se sabe ao certo, portanto, qual é a verdadeira base
aliada do governo Dilma, mas pode-se inferir que, à exceção do PC do B, não
exista nenhum outro aliado confiável.
Em
uma situação assim, fica mais fácil entender o temor do governo Dilma e do
próprio PT. Com uma base de apoio tão volátil – e, frequentemente, tão desleal
–, o governo se expõe, no limite, até a revoltas parlamentares como a que deu
origem ao impeachment do ex-presidente Fernando "aquilo roxo" Collor
de Mello.
Não
é brincadeira...
Isso
sem falar que Dilma tem como vice ninguém mais, ninguém menos do que Michel
Temer, que já foi aliado "fiel" dos tucanos e que, dizem, está por
trás da hesitação da presidente em relação à imprensa. O governo deve
temer Temer. E muito. Se Dilma sofrer queda de popularidade, ele salta do barco
antes que você, leitor, possa proferir a palavra fisiologia.
Vejo-me
obrigado, portanto, a refletir sobre a expressão "governo de
coalizão". Boa parte da militância petista não leva em conta algo que
escrevi há alguns meses aqui, sobre que o PT chegou ao governo, sim, mas não
chegou ao poder.
O
fato é que a imprensa, apesar de não conseguir mais eleger quem quer por
estrita falta de colaboração desse ente que trata sempre como detalhe nas
escolhas que o país faz, ou seja, o povo ainda tem um poder político
praticamente inacreditável. Isso porque se impõe em quase todos os partidos,
para não dizer em todos.
A
situação se torna estarrecedora quando se reflete que, mesmo no único partido
em que a mídia não deveria ter influência, ela tem. Todos sabem muito bem quais
são os petistas que vivem aos beijos e abraços com o Partido da Imprensa
Golpista enquanto este faz tudo o que pode e o que não pode para destruir o
partido deles.
Como
já expliquei em post anterior, isso deve ao fato de que essa coisa de que a
mídia não influi mais em eleições pode até ser verdade em eleições mais disputadas,
nas quais o PT joga com a "bomba atômica" Lula e com o peso – e o
dinheiro – que sua nova configuração ideológica lhe propiciou a partir de 2002.
Mas não é verdade no varejo.
É
óbvio que parlamentares, prefeitos de cidades menores e até governadores
continuam sendo eleitos por influência da mídia – e são esses que até aderem,
fisiologicamente, ao partido que está no poder, mas só para mamar, pois, na
hora do vamos ver, os integrantes desses partidos "aliados" são
liberados pelos dirigentes para agirem como quiserem.
Um
bom exemplo é São Paulo. Enquanto Orestes Quércia estava vivo, o PMDB era o
maior aliado do PSDB por aqui, apesar de dividir o governo federal com o PT. É
óbvio, portanto, que os interesses que um PMDB representa em São Paulo acabam
interferindo na atuação da bancada federal do partido. E esse é só um exemplo.
Você,
eleitor ou simpatizante do PT, pode ficar contrariado com o partido. Pode dizer
que é covarde, pode xingá-lo quanto quiser. Mas uma coisa é certa: o PSDB só
não está no poder porque o PT aceitou essas regras do jogo. O que há para
decidir, portanto, é se queremos o PT no poder, mas sem poder falar grosso, ou
falando grosso, mas na oposição.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/86649/A-fragilidade-da-base-aliada.htm
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